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Boeing aposta em pilotos-robôs e táxis que voam sozinhos

Julie Johnsson

(Bloomberg) -- A Boeing está adquirindo sua parceira de longa data Aurora Flight Sciences, ganhando assim um portfólio de tecnologia futurista que engloba por exemplo os táxis aéreos não tripulados que poderão algum dia voar pelos céus das cidades para a Uber Technologies.

Com a aquisição, a Boeing está apostando em aviões mais inteligentes, nos quais os algoritmos de computador e a inteligência artificial desempenham um papel cada vez mais importante na cabine. A Aurora lidera o ramo de voos autônomos com produtos como um copiloto robótico e um software capaz de perceber as pistas de pouso.

"Não podemos prever como será esse futuro. Mas, independentemente da forma que as viagens aéreas assumirão, queremos ser líderes", disse Greg Hyslop, diretor de tecnologia da Boeing, em transmissão pelo Facebook após o anúncio da aquisição, na quinta-feira.

O acordo ressalta o foco da Boeing em transações menores e direcionadas, enquanto concorrentes como a Northrop Grumman e fornecedores como a United Technologies buscam fusões de grande escala. A Boeing afirmou que a compra da Aurora, que tem sede em Manassas, Virgínia, EUA, e conta com 550 funcionários, não afetaria sua orientação financeira. Os termos do acordo não foram revelados no comunicado das empresas, na quinta-feira.

A Aurora projetou, produziu e operou mais de 30 veículos aéreos não tripulados desde a fundação da empresa, em 1989. Suas aeronaves usam tecnologia autônoma, incluindo percepção, aprendizado de máquina e sistemas avançados de controle de voo. Há por exemplo o Centaur, uma "aeronave opcionalmente pilotada", e um copiloto robótico que operou um simulador de voo do Boeing 737.

Táxi aéreo

Em abril, a empresa operou com sucesso um protótipo de táxi aéreo que decola e aterrissa verticalmente, útil para chegadas e partidas em tetos. A Aurora pretende entregar 50 aeronaves do tipo até 2020 para serem testadas pela Uber Elevate, a iniciativa da empresa de caronas compartilhadas voltada a carros voadores. A Uber, que também conta com a Textron e a Embraer como parceiras, vislumbra clientes urbanos viajando rapidamente sobre o trânsito com aeronaves chamadas por meio de computadores ou telefones celulares.

A autonomia terá que desempenhar um papel crucial se a tecnologia for bem-sucedida, disse John Langford, CEO da Aurora, no webcast no Facebook. Para serem viáveis economicamente, as futuras frotas de táxis aéreos e drones envolverão redes de veículos com um único controlador que operará "dezenas" de aviões, disse ele.

A experiência da Aurora com aeronaves que voam sozinhas também beneficia a Boeing, que intensificou sua pesquisa na área em um momento em que a escassez de pilotos ameaça limitar o crescimento das empresas aéreas. A fabricante de aviões com sede em Chicago estuda uma tecnologia baseada em inteligência artificial que permitiria que um único piloto se mantivesse nos controles durante um voo longo, um possível passo em direção aos voos totalmente autônomos.

Quando a aquisição for finalizada, a Aurora se transformará em uma subsidiária da Boeing Engineering, Test & Technology conhecida como Aurora Flight Sciences, A Boeing Company. A empresa manterá um "modelo operacional independente", afirmou a Boeing.

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