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Derretimento de gelo no Ártico abre rota de comércio de energia

Jeremy Hodges, Anna Shiryaevskaya e Dina Khrennikova

28/08/2018 14h35

(Bloomberg) -- Uma nova rota comercial para o fornecimento de energia está se abrindo ao norte do Círculo Polar Ártico à medida que algumas das temperaturas mais quentes já registradas reduzem as camadas de gelo que impediam a entrada de navios na área.

Este ano provavelmente ficará entre os 10 primeiros no que se refere à quantidade de gelo marinho que está derretendo no Oceano Ártico após as ondas de calor em todo o hemisfério norte neste trimestre de verão. Embora isso seja alarmante para os ecologistas preocupados com o aquecimento global, os proprietários de navios que transportam gás natural liquefeito e outros bens consideram isso uma oportunidade. Neste ano, suas cargas atravessaram a região pela primeira vez sem quebra-gelos, reduzindo dias de transporte e liberando o fornecimento de campos de difícil acesso na Sibéria.

Águas mais navegáveis dão um impulso à campanha do presidente da Rússia, Vladimir Putin, para expandir o alcance de seu país no mercado de gás e para empresas de energia como a Total e a Novatek, que estão liderando os projetos no Ártico. Isso também ajuda a diminuir os custos de envio de GNL, beneficiando compradores e traders do combustível, da PetroChina até a Gunvor Group.

"Há uma tendência de crescimento dos volumes transportados pela Rota do Mar do Norte neste ano", disse Sergei Balmasov, diretor da Arctic Logistics Information Office, uma consultoria em Murmansk, Rússia. "O motivo é um aumento das exportações de GNL."

Mudança

Embora viagens mais curtas reduzam as emissões, os ecologistas receiam que mais tráfego pelo Ártico aumente a quantidade de carbono negro -- partículas de carbono puro -- que se depositam na neve, provenientes das chaminés dos navios-tanque. Quando essa fuligem escurece a superfície do gelo, ela acelera o processo de aquecimento porque absorve mais energia do sol.

O clima turbulento da área agita as águas, tornando quase impossível limpar qualquer derramamento. A Organização Marítima Internacional está estudando normas que proibiriam a queima de óleo combustível pesado nas águas do Ártico, estendendo as restrições já em vigor na Antártida.

Os cientistas estão vendo uma rápida mudança no Ártico. O Mar de Bering, entre o Alasca e a Rússia, perdeu cerca de metade de sua cobertura de gelo durante um período de duas semanas em fevereiro e a estação meteorológica mais ao norte na Groenlândia registrou temperaturas superiores à de congelamento durante 60 horas neste mês. O registro anterior era de 16 horas no fim de abril de 2011. O termômetro chegou a 30 graus Celsius, uma temperatura sem precedentes, ao norte do Círculo Polar Ártico, em 30 de julho em Banak, na Noruega.

O tráfego está aumentando. A Rota do Mar do Norte registrou 9,7 milhões de toneladas de carga transportadas em 2017, segundo a Agência Federal de Transporte Marítimo e Fluvial da Rússia. Foram realizadas 615 viagens ao longo da Rota do Mar do Norte neste ano até 15 de julho, aproximadamente a mesma quantidade que em 2017, disse Balmasov, da Arctic Logistics. O governo russo está direcionando o tráfego de carga por essa rota, totalizando 80 milhões de toneladas até 2024.

"A principal diferença em relação a 2017 são os envios de GNL a partir do porto de Sabetta", disse Balmasov. "Nossos dados mostram que até o começo de julho, 34 navios-tanque foram despachados de Sabetta para portos europeus e uma viagem foi para o leste."