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Reino Unido votaria contra Brexit em novo referendo, diz estudo

Timothy Ross

05/09/2018 12h56

(Bloomberg) -- Os eleitores britânicos estão mais céticos do que nunca em relação ao Brexit e provavelmente votariam contra a saída da União Europeia se o governo convocasse um segundo referendo, segundo uma nova pesquisa.

A razão para a mudança de opinião é o medo crescente entre os eleitores anteriormente pró-Brexit de que a saída da UE prejudicará a economia, segundo relatório do NatCen, um importante instituto de pesquisa social.

"Uma fatia de 59 por cento disse que votaria pela permanência em outro referendo e apenas 41 por cento indicaram que apoiariam a saída", apontou o relatório. "Este é de longe o maior nível de apoio à permanência que registramos."

A pesquisa é baseada em entrevistas repetidas com as mesmas 2.048 pessoas e compara as respostas a perguntas sobre os mesmos assuntos nos últimos dois anos. As conclusões devem reforçar a crescente campanha dentro do Reino Unido para que haja um novo referendo a respeito dos termos finais do divórcio.

A primeira-ministra Theresa May prometeu não convocar um segundo referendo, mas o Partido Trabalhista, o maior da oposição, mantém aberta a opção de apoiar uma votação nacional a respeito dos resultados das negociações. Na terça-feira, o sindicato GMB, que doa recursos ao Partido Trabalhista, defendeu publicamente outro referendo para oferecer à população a chance de aprovar ou rejeitar o acordo final do Brexit.

As negociações estão travadas na questão sobre como evitar a necessidade de criar uma fronteira dura entre a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido, e a República da Irlanda. Tanto o Reino Unido quanto a UE querem finalizar os termos do divórcio até novembro para garantir tempo para que o acordo passe pelos parlamentos britânico e europeu antes do dia da saída, em 29 de março.

O estudo do NatCen, liderado por John Curtice, um dos analistas políticos mais respeitados do Reino Unido, concluiu que as pessoas estão mais propensas a criticar a forma com que o governo de May está lidando com as negociações de saída do que no início de 2017. "A reputação do governo britânico aparentemente sofreu mais danos do que a da UE com o progresso percebido das negociações do Brexit até o momento", disse.

Embora o desejo dos eleitores de conter a migração da UE para o Reino Unido tenha diminuído, há "algo próximo de um consenso" a favor de manter estreitos laços comerciais entre o Reino Unido e a UE.

Isso pode ser uma má notícia para May, que construiu o plano do Brexit com base na promessa de deixar o mercado único da UE para ser livre para controlar a migração. "Nada tem mais probabilidade de convencer alguém que votou pela saída em 2016 de que talvez tenha feito a escolha errada do que a percepção de que a economia do Reino Unido terá problemas por causa do Brexit", afirma o estudo.

Quando levados em conta os padrões de votação anteriores dos entrevistados, os resultados implicam que um segundo referendo teria 54 por cento dos votos pela permanência na UE. No referendo de 2016, 52 por cento votaram pela saída do bloco.

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