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Cielo tem pior semana desde IPO e queda pode estar longe do fim

Vinícius Andrade e Felipe Marques

09/11/2018 15h50

(Bloomberg) -- As ações da Cielo estão tendo a pior semana desde o IPO da empresa de pagamentos, em 2009. E a queda pode estar apenas no começo.

A companhia está sofrendo com a competição acirrada que desencadeou uma guerra de preços. Os analistas estão hesitantes em relação à capacidade da empresa de reagir sem que as margens sejam ainda mais pressionadas. As ações estão em queda de 54 por cento no acumulado do ano, enquanto o Ibovespa tem alta de 12 por cento.

"Parece razoável esperar que o lucro por ação da Cielo apresente um recuo de dois dígitos em 2019," escreveram os analistas do Itaú BBA Alexandre Spada e Thiago Bovolenta Batista, em relatório de 8 de novembro. O Itaú BBA afirmou que executivos da empresa indicaram números fracos adiante e o banco prefere a rival PagSeguro.

Analistas do Santander liderados por Henrique Navarro disseram que "o ajuste nos resultados está longe de terminar" em um relatório de 31 de outubro, dizendo que os volumes foram fracos no terceiro trimestre e que as receitas e os preços se deterioraram. O Santander reiterou sua recomendação underperform para o papel.

O JPMorgan cortou o preço-alvo da ação de R$ 14 para R$ 13 em 8 de novembro e reduziu as estimativas para receita, Ebitda e lucro líquido para 2019 e 2020.

"O mercado está em plena transformação e exige da companhia uma atuação agressiva para manter a liderança que já conquistou e capturar o crescimento que está surgindo em novos segmento," disse a Cielo, em comentário à Bloomberg.

A Cielo, controlada por Banco do Brasil e Bradesco, é lider na captura de pagamentos digitais, com um market share superior a 40 por cento. Novos rivais estão ameaçando sua posição, incluindo a StoneCo, que acabou de levantar US$ 1,22 bilhão em seu IPO no mês passado, atraindo os bilionários Warren Buffett e Jack Ma.

A Cielo está tentando revidar: recentemente nomeou como presidente Paulo Caffarelli, que comandou a recuperação do Banco do Brasil. Além disso, também tem investido em tecnologia para aumentar o portfólio de produtos, serviços e marcas no Brasil, disse o CFO Clovis Poggetti Jr em teleconferência em 31 de outubro.