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Petrobras deve continuar com venda de ativos com novo CEO

Sabrina Valle

19/11/2018 15h29

(Bloomberg) -- O próximo presidente da Petrobras, ex-membro do conselho da companhia que apoia a privatização da estatal e criticou os subsídios aos combustíveis, entrará no cargo com forte apoio dos mercados financeiros.

Roberto Castello Branco é o terceiro economista com laços com a Universidade de Chicago a ser escolhido para uma posição chave na próxima equipe econômica do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro.

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O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que Castello Branco aceitou o convite em comunicado na segunda-feira e a Petrobras confirmou que o atual presidente Ivan Monteiro deixará o cargo em 1º de janeiro. Petrobras ficou entre as maiores altas do Ibovespa nesta segunda-feira até a queda do petróleo colocar ações de energia sob pressão.

Castello Branco criticou o programa atual de reembolso de subsídios ao diesel com o governo que deve expirar em 31 de dezembro. Com os preços do petróleo em declínio, será mais fácil desestimular os subsídios sem provocar agitação. Os subsídios foram implementados em meados de 2018 para resolver a greve dos caminhoneiros, e, embora a Petrobras tenha sido compensada, investidores traumatizados com perdas passadas adotaram uma visão negativa do programa, preferindo preços com base no mercado.

Castello Branco foi o principal especialista em petróleo envolvido na campanha de Bolsonaro e sua nomeação reforça uma tendência pró-privatização. Ele disse recentemente que a Petrobras deve continuar a vender ativos e até levantou a possibilidade de uma privatização completa. Castello Branco faz parte da equipe de transição de Bolsonaro, permitindo que ele coordene com a administração da Petrobras que está de saída.

Enquanto Bolsonaro retrocedeu nos planos para uma privatização generalizada, dizendo que o "miolo" da produtora deve ser preservado, a empresa tende a continuar desinvestindo os ativos para reduzir a alavancagem e agilizar as operações sob Castello Branco. Ele apoiou a venda de refinarias da Petrobras, um processo que tem sido difícil de realizar em meio a incertezas sobre o futuro das políticas de preços de combustíveis.

A crítica de Castello Branco aos subsídios aos preços dos combustíveis é particularmente bem-vinda para os investidores; a empresa perdeu cerca de US$ 40 bilhões com a venda de combustíveis abaixo dos níveis internacionais de 2011 a 2014, durante um período de altos preços internacionais.

"No Brasil, a exemplo da Venezuela, o petróleo é usado como instrumento do populismo para redistribuir renda a favor de grupos de interesse, seja por meios legais ou ilegais", escreveu em artigo publicado em 28 de maio pelo instituto de pesquisa da Fundação Getulio Vargas. "A Petrobras foi quase destroçada pela adoção de preços de combustíveis abaixo dos preços internacionais entre 2011 e 2014".

O economista passou a apoiar a privatização da Petrobras para evitar que governos populistas usem a gigante da energia para atender a grupos de interesse em detrimento de seus resultados. Os subsídios para o diesel foram uma resposta à greve nacional dos caminhoneiros, expondo como é fácil desafiar as políticas baseadas no mercado no Brasil.

"Uma estatal, mesmo praticando preços determinados pelo mercado global, é alvo fácil de 'rent seekers'. Essa é mais uma razão para privatizar a Petrobras", escreveu Castello no mesmo artigo.

Bolsonaro recebeu elogios de analistas e investidores por ter escolhido candidatos pró-mercado para sua equipe econômica. Guedes, Castello Branco e Joaquim Levy, que vai liderar o BNDES, estudaram na Universidade de Chicago e compartilham uma visão liberal da economia.

--Com a colaboração de Rachel Gamarski e Vinícius Andrade.