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Empresa faz estoque de refeições de aviões por medo do Brexit

Ellen Milligan

21/01/2019 11h40

(Bloomberg) -- Um Brexit duro pode provocar filas nos aeroportos e frear novas rotas, mas os passageiros de aviões deveriam pelo menos conseguir comer a bordo.

Devido à crescente preocupação de que uma separação sem acordo entupirá o tráfego nos portos britânicos, atrasando o fluxo de mercadorias, a maior fornecedora de alimentos do setor de aviação do mundo começou a estocar entradas, lanches e até talheres de plástico.

A Gate Gourmet, que atende 20 empresas aéreas em 10 aeroportos do Reino Unido, está acumulando pizza, sorvete e pato assado (para a classe executiva) suficientes para servir aos passageiros durante 10 dias de distúrbios. Os itens refrigerados estão sendo mantidos em um depósito em Peterborough, na Inglaterra, e montanhas de caixas de salgadinhos, amendoim e papel higiênico se acumulam em uma instalação com temperatura ambiente em Londres.

"As empresas poderão enfrentar dificuldades se não se prepararem e garantirem a continuidade do abastecimento", disse Stephen Corr, diretor-gerente para o Leste Europeu da empresa com sede em Zurique, em entrevista. "Estamos aumentando gradualmente os níveis de estoque de produtos da União Europeia para garantir que qualquer interrupção inicial na fronteira do Reino Unido possa ser coberta."

As refeições de bordo se unem a itens como autopeças, asas de avião, papel de jornal, cerveja e remédios contra o câncer que estão se acumulando em dezenas de armazéns especializados. A Gate Gourmet, que faz parte da Gategroup Holding, antigo braço de catering da Swissair que agora é controlado pela chinesa HNA Group, produz a maior parte de suas refeições na Alemanha e na Espanha e as empresas aéreas do Reino Unido são abastecidas por caminhão.

Isso significa usar a travessia marítima de Calais-Dover, que deverá se tornar um ponto de estrangulamento com a introdução de verificações aduaneiras demoradas se o Reino Unido deixar a UE sem fechar nenhum acordo. Antes de ser enviada ao aeroporto para ser reaquecida a bordo do avião, a comida preparada é armazenada em Peterborough.

A instalação, administrada pela Chiltern Cold Storage, está com 98 por cento de ocupação e guarda de tudo, de carne congelada para restaurantes a refeições veganas e ração para cães. Fornecedores de todo o Reino Unido estão utilizando seus serviços, segundo o diretor de operações, Tom Lewis.

Cada vez mais empresas estão iniciando planos de contingência com o fim do prazo do Brexit a menos de 75 dias e sem que a primeira-ministra Theresa May tenha conseguido que o acordo acertado com a UE fosse aprovado pelo Parlamento na semana passada.

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