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Gol, Latam e Azul sobem enquanto Avianca Brasil duela com dívida

Fabiola Moura e Vinícius Andrade

2019-02-15T12:00:49

15/02/2019 12h00

(Bloomberg) -- A tristeza de uns é a felicidade de outros. O dito popular se aplica perfeitamente ao atual cenário das companhias aéreas que operam no país.

A Gol é a ação de melhor desempenho no Ibovespa neste mês, depois que a Oceanair, que opera sob a marca Avianca Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial em dezembro. A Gol, a maior companhia aérea do Brasil em participação de mercado, já subiu 15% em fevereiro, enquanto o índice acumula alta de menos de 1%. A Azul, terceira maior aérea do país, ganhou 4% no mesmo período.

"Continuamos acreditando que os problemas financeiros da Avianca Brasil são um fator positivo para a indústria aérea brasileira", escreveu a analista da Raymond James, Savanthi Syth, em relatório de 5 de fevereiro.

A Gol é a maior beneficiária de curto prazo dos problemas da Avianca, enquanto a Azul é potencialmente beneficiária maior no médio prazo, disse Syth em outro relatório de 12 de fevereiro.

Durante anos, a Avianca Brasil irritou os concorrentes locais, ganhando participação de mercado ao oferecer bom serviço a preços mais baixos.

A companhia aérea de José Efromovich consolidou sua posição como a quarta maior companhia aérea doméstica, ganhando quase três pontos percentuais de participação de mercado entre 2015 e 2017, antes de perder parte disso depois que a empresa pediu proteção judicial contra os credores.

Durante esse período, o número total de viajantes aéreos no Brasil também cresceu cerca de 3%, já que a maior economia da América Latina saiu da pior recessão de sua história.

Agora, a Gol está preparada para se beneficiar ao máximo da reestruturação da dívida da Avianca Brasil, pois cerca de 80% das rotas das duas companhias aéreas se sobrepõem, segundo o analista do Bradesco BBI, Victor Mizusaki escreveu em uma nota no mês passado.

Com os passageiros receosos em comprar passagens da Avianca Brasil, as ações da Latam, a segunda maior do país, também estão decolando. A companhia aérea subiu 10% desde o começo do ano, a segunda melhor performance no índice MSCI Chile.

Empresa em crise

A Avianca Brasil anunciou que vai descontinuar voos diretos de São Paulo para Santiago, Miami e Nova York a partir de 31 de março. A empresa também está tentando obter financiamento antes do prazo de meados de abril para manter sua nova frota de aeronaves Airbus arrendadas e suas cobiçadas rotas domésticas, que estão concentradas entre as cidades mais movimentadas do país, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

A história da recuperação judicial das companhias aéreas no Brasil não é promissora. Varig, Vasp e PanAir desapareceram do mapa depois de cair em problemas de dívida.

"O fim potencial da Avianca Brasil é um possível fator de mudança para o setor de aviação doméstica no Brasil", disse Syth, da Raymond James.

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