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Bosch promete zerar emissões de carbono em 2020

Brian Parkin

09/05/2019 09h21

(Bloomberg) -- Uma das maiores e mais antigas empresas da Alemanha quer zerar as emissões de carbono até o ano que vem, iniciando uma corrida para explorar mais energia verde, aumentar a economia de eletricidade e compensar as emissões.

A Robert Bosch anunciou o abrangente plano que terá impacto em 400 unidades em todo o mundo na quinta-feira. O programa coloca a empresa, fundada há 133 anos, na vanguarda das blue chips da Alemanha que adotam iniciativas para eliminar as emissões, diante do aumento dos custos relacionados à poluição provocada por gases de efeito estufa. O governo liderado pela primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, tem reprimindo o dióxido de carbono emitido pela maior economia da Europa com o objetivo de cumprir as metas impostas pelo acordo climático de Paris.

A empresa, com sede em Stuttgart, pretende reduzir as emissões de carbono em 3,3 milhões de toneladas no ano que vem, disse o presidente da Bosch, Volkmar Denner, em discurso na quinta-feira. As empresas alemãs não têm outra opção a não ser começar a agir, disse.

"A mudança climática não é ficção científica", disse o CEO, físico de formação, para quem o aquecimento global começa a ser um importante fator de preocupação nas sociedades. "Restrições para circulação de veículos, protestos contra o diesel, coletes amarelos e greves climáticas às sextas-feiras - tudo isso mostra que as empresas precisam tomar medidas climáticas".

Denner não disse quanto a iniciativa custaria para a Bosch. A empresa de capital fechado tem aumentado as vendas de bens e serviços que melhoraram a eficiência energética e reduzem as emissões. A Bosch gasta cerca de metade de seu orçamento de pesquisa e desenvolvimento, orçado em US$ 8 bilhões, em tecnologias voltadas ao meio ambiente.

O governo de Merkel é obrigado a seguir a chamada "Diretiva de Responsabilidade Ambiental" da Comissão Europeia, que visa reduzir as emissões de dióxido de carbono em energia, transporte, aquecimento e resfriamento, indústria e agricultura. A política tem como objetivo ajudar os países a cumprir suas metas para 2030 vinculadas ao Acordo de Paris.

Algumas das 2 mil empresas com maior consumo de energia da Alemanha já são obrigadas a arcar com os custos da poluição por meio de certificados comprados como membros do Sistema de Comércio de Emissões da UE. Isso significa que cerca de 3,6 milhões de empresas alemãs não estão registradas no comércio de carbono e, em breve, poderão enfrentar custos adicionais por causa de emissões, como a poluição provocada por fábricas e frotas de carros.

O governo de coalizão da União Democrata Cristã, partido de Merkel, e do Partido Social-Democrata agora debate quais instrumentos financeiros devem ser adotados para atingir as metas climáticas. As discussões deste mês se concentraram em propostas para tornar o uso de combustível fóssil em transportes e aquecimento mais caro.

--Com a colaboração de Elisabeth Behrmann.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net