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Analistas veem chance de corte de juros pelo Fed em julho

Richard Miller e Christopher Condon

07/06/2019 12h53

(Bloomberg) -- A fraqueza do mercado de trabalho dos Estados Unidos em maio deixa o Federal Reserve mais perto de cortar as taxas de juros, mas o movimento pode não ser para já.

Embora não seja possível descartar uma redução na próxima reunião, o cenário-base de analistas é de manutenção em junho. Entretanto, eles dizem que a abrupta desaceleração no crescimento das vagas de trabalho aumenta as chances de o BC dos EUA cortar as taxas talvez em julho.

Foram criados 75.000 postos de trabalho nos EUA em maio, após 224.000 mês anterior, segundo dado divulgado nesta sexta-feira. O resultado ficou abaixo de todas as estimativas na pesquisa da Bloomberg, que previam 175.000 vagas, e segue outras dados com leituras mais brandas da economia.

Julia Coronado, fundadora da MacroPolicy Perspectives, em Nova York, antecipou sua estimativa de corte de juros após os números do mercado de trabalho. Agora, ela espera redução de 0,25 ponto porcentual em julho e setembro, sendo que antes previa em setembro e dezembro.

"Se isso acontecesse em um ambiente tranquilo, não acho que estariam contemplando cortes nas taxas", disse Coronado. "Mas não estamos em um ambiente tranquilo."

Coronado disse que, embora um corte de junho não esteja fora de questão, essa não é a sua aposta.

O economista-chefe do JPMorgan nos EUA, Michael Feroli, concorda. "Duvido que cortem em junho, mas eu não colocaria uma probabilidade zero nisso", disse o ex-funcionário do Fed.

"Nós obviamente nos sentimos mais confiantes de que flexibilizarão" este ano após o relatório de empregos, acrescentou.

O cenário-base de Feroli, por enquanto, permanece por dois cortes de 0,25 ponto porcentual cada neste ano, em setembro e dezembro. Mas "pode ser mais cedo do que setembro e pode ser mais de 0,50" pp, dependendo do que acontecer à economia, disse.

O mercado futuro de juros mostra um corte de 0,25 pp quase precificado em julho e indica cerca de 0,70 pp de flexibilização até o final de 2019.

Os membros do Fed se reúnem em 18 e 19 de junho para decidir sobre a estratégia para a política monetária. O presidente do Fed, Jerome Powell, abriu a porta para um possível corte de juros no começo da semana, quando disse que o BC dos EUA "agirá como apropriado para sustentar a expansão".

O relatório de emprego fraco vem depois de uma série de dados econômicos predominantemente suaves. As vendas no varejo, a produção industrial e as compras de moradias mostraram que a economia está lutando neste trimestre após um crescimento melhor do que o esperado nos primeiros três meses do ano.

A confiança das empresas também está sendo amortecida pela guerra comercial de Donald Trump com a China e sua ameaça de impor tarifas de importação sobre o México.

"Tudo isso aponta para o Fed ter que cortar as taxas mais cedo do que o esperado", disse Sarah House, economista sênior da Wells Fargo.

Mais Evidências

Os economistas do Bank of America Joseph Song e Michelle Meyer dizem que o relatório de empregos apoia a visão de que o Fed reduzirá as taxas em setembro e dezembro.

"Continuamos acreditando que é muito cedo para mudar em junho, já que o Fed provavelmente vai querer ver mais evidências de fraqueza antes de flexibilizar", escreveram em relatório aos clientes.

--Com a colaboração de Reade Pickert, Steve Matthews e Sophie Caronello.

Repórteres da matéria original: Richard Miller em Washington, rmiller28@bloomberg.net;Christopher Condon Washington, ccondon4@bloomberg.net

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