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Com término do Tour de France, ciclismo busca saída para crise

Joshua Petri

01/08/2019 15h47

(Bloomberg) -- Se por acaso você acompanha competições de ciclismo profissional de vez em quando, provavelmente assiste uma vez por ano ao Tour de France. Durante essas três semanas em julho, os fãs podem assistir aos melhores ciclistas do mundo deslizarem por estradas do interior da França, competindo pela supremacia à frente de um longo e sinuoso pelotão.

Mas, por trás desse trajeto europeu cuidadosamente orquestrado - conquistado esta semana pelo colombiano Egan Bernal -, o esporte enfrenta uma crise. Nos últimos anos, as equipes têm desaparecido a um ritmo alarmante, deixando ciclistas e equipes técnicas com dificuldades para encontrar emprego.

O modelo econômico do ciclismo internacional é difícil. No início de cada ano, a maioria das equipes tem uma quantia fixa de recursos dos patrocinadores - uma variedade de empresas que pagam para que sua marca seja vista nos corpos magricelos de ciclistas ofegantes. Os grandes patrocinadores - fabricantes de bicicletas, empresas de telecomunicações e até empresas de combustível fóssil - geralmente têm sede na Europa, devido à popularidade do esporte na região.

"O ciclismo profissional deveria se considerar um negócio, mas é parasitário", disse Jonathan Vaughters, ex-ciclista profissional e representante da equipe EF Education First-Drapac p/b Cannondale. "Equipes e corridas estão competindo pelos mesmos patrocinadores."

Agora, com o término do principal evento do ciclismo internacional, alguns interessados estão concentrados em como fazer isso. No processo, esperam reverter o lento declínio do esporte.

O ciclismo é um esporte difícil de ser vendido para emissoras, com horas de relativa inércia intercaladas por breves momentos de emoção quando um ciclista tenta uma ultrapassagem (ataca) ou cai. Transmitir uma corrida pela TV requer um sistema de revezamento caro de helicópteros e aviões para transmitir sinais de câmeras instaladas em motocicletas. A maioria das transmissões de ciclismo - até mesmo para o Tour de France - perde dinheiro.

A instabilidade do ciclismo profissional é agravada por outro problema estrutural: as equipes não são franquias permanentes. Precisam de licenças de curto prazo concedidas pela União Ciclística Internacional (UCI), órgão regulador do esporte. As equipes também não competem como parte de uma liga; cada corrida é propriedade de uma empresa externa que, por sua vez, vende os direitos de transmissão e patrocínio.

A UCI disse que planeja mudar o funcionamento da competição. Para a próxima temporada, está prevista uma nova estrutura para o ciclismo masculino, que abordará alguns dos problemas mais espinhosos enfrentados pelas equipes de segundo nível. Uma reforma importante será a extensão das licenças das equipes para três anos, segundo anúncio da UCI em dezembro. A UCI não respondeu a um pedido de comentário.

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