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Derrotas no Congresso e pressão por gastos frustram Guedes, dizem fontes

24.abr.2020 - De máscara, o ministro da Economia, Paulo Guedes, acompanha pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro - Edu Andrade/Fotopress/Estadão Conteúdo
24.abr.2020 - De máscara, o ministro da Economia, Paulo Guedes, acompanha pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro Imagem: Edu Andrade/Fotopress/Estadão Conteúdo

Martha Beck e Simone Iglesias

07/05/2020 16h18

(Bloomberg) — O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem demonstrado cansaço com as derrotas da equipe econômica no Congresso e teme que, sem apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), os gastos públicos atinjam níveis que ele e sua equipe consideram insustentáveis, disseram três pessoas com conhecimento do assunto.

Guedes não pediu para sair do governo, mas ele tem dado sinais de que seu futuro à frente do ministério não está garantido, disseram as fontes, que pediram anonimato. Procurados, o Ministério da Economia e o Palácio do Planalto não comentaram o assunto.

A derrota mais recente ocorreu no Congresso, onde foi aprovado o projeto de ajuda financeira a estados e municípios para combater os efeitos da crise do novo coronavírus.

A única contrapartida exigida pela equipe econômica em troca de um socorro de R$ 125 bilhões era que governadores e prefeitos não elevassem salários do funcionalismo público por 18 meses. Deputados e senadores, no entanto, excluíram uma série de categorias da norma, como profissionais de saúde, professores e policiais.

Quando o Ministério da Economia procurou o Palácio do Planalto para pedir ajuda e desarmar a bomba, descobriu que foi o próprio Bolsonaro quem deu o sinal verde para que as mudanças ocorressem na hora da votação, disseram as fontes.

Como Guedes estava frustrado com a situação, o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, e o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, intervieram para aliviar as tensões, acrescentaram as pessoas.

O presidente, então, fez um gesto de apoio a Guedes hoje e prometeu que vai vetar as mudanças feitas pelo Congresso com o argumento de que na economia quem dita a cartilha é Guedes. O ministro, em contrapartida, fez coro à campanha de Bolsonaro pela reabertura da economia, durante a visita desta quinta-feira ao STF.

"A economia está começando a colapsar", disse Guedes.

Apesar da demonstração pública de afinidade, no entanto, ainda não está claro se o presidente cumprirá sua promessa de veto, porque, ao fazer isso, corre o risco de irritar os principais membros de sua base de apoio, como policiais. Mesmo se o fizer, o Congresso ainda pode derrubar o veto presidencial.

O Ministério da Economia já se prepara para mais pressões por gastos públicos. O governo gastará quase R$ 130 bilhões para pagar o auxílio emergencial de R$ 600 a trabalhadores informais durante três meses por causa da crise. Os estímulos fiscais dados durante a crise farão com que o déficit primário do setor público seja superior a R$ 600 bilhões, cerca de 8% do PIB (Produto Interno Bruto), em 2020.