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Governo argentino cria sistema eletrônico de monitoramento de preços

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Buenos Aires, 15 fev (EFE).- O governo argentino oficializou nesta segunda-feira (15) a criação de um sistema eletrônico para que os comércios varejistas informem em tempo real os preços de venda ao público, com o objetivo de controlar a inflação, que não tem dados oficiais desde a posse de Mauricio Macri na Casa Rosada, há dois meses.

A resolução do Sistema Eletrônico de Publicidade de Preços Argentinos (Sepas - que em espanhol significa saiba), publicada nesta segunda no Diário Oficial, indica que quase todos os armazéns, mercados, supermercados e hipermercados --salvo pequenas e médias empresas-- deverão notificar "diariamente" os valores de uma lista de produtos de consumo que será determinada pelo Executivo.

A informação estará disponível em um site e em um aplicativo para telefone celular, assim que a Secretaria de Comércio - inscrita dentro do Ministério de Produção - termine de implementar o Sepas.

A página contará também com uma plataforma de colaboração popular online em que os consumidores poderão denunciar inconsistências.

O descumprimento da obrigação de comunicar os preços será penalizado com multas de até cinco milhões de pesos (cerca de R$ 1,34 milhão).

Desvalorização do peso

O governo adotou esta medida para tentar controlar a escalada de preços dos últimos meses, que acelerou após as medidas econômicas adotadas por Macri no começo de seu mandato, como o fim das restrições cambiais, que deram lugar a uma desvalorização de 35% na cotação do peso e o fim dos subsídios ao consumo elétrico, que implicarão aumentos de até 600%.

O Executivo não publica números oficiais de inflação desde novembro, pois após a posse de Macri foi determinada a reorganização do questionado Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) e o redesenho de novos sistemas de medição.

Estima-se que não haverá Índice de Preços ao Consumidor (IPC) até o segundo semestre e, enquanto isso, o governo sugeriu usar como referência a inflação de Buenos Aires.

O crescimento dos preços em Buenos Aires, em janeiro, segundo estes números, foi de 4,1%, quase o dobro que no mesmo período de 2015.

Na variação anualizada, os preços subiram 29,6% entre o primeiro mês deste ano e o do ano passado.

Monitoramento seria insuficiente

Diferentes associações de consumidores já advertiram que o Sepas não será suficiente para controlar a escalada de preços.

Durante o último mandato de Cristina Kirchner uma medida semelhante já havia sido proposta, que não chegou a ser efetivamente estabelecida.

Diante da preocupação geral, admitida inclusive pelo governo, pela escalada inflacionária, o deputado opositor Sergio Massa, uma das referências do peronismo e líder da Frente Renovadora (FR), retomará hoje a divulgação de um IPC paralelo, elaborado a partir de dados de consultorias privadas, assim como era feito nos últimos anos do kirchnerismo.

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