Pior seca na Bolívia em 25 anos danifica meio milhão de hectares de cultivos

La Paz, 11 ago (EFE).- A seca que castiga a Bolívia é a pior dos últimos 25 anos e danificou mais de meio milhão de hectares de plantações de soja no leste do país, informou nesta quinta-feira a Associação Nacional de Produtores de Oleaginosas e Trigo (Anapo).

"Nosso setor produtivo está enfrentando a pior seca nos últimos 25 anos, afetando mais de 500 mil hectares de soja e diminuindo em 660 mil toneladas a produção de vários cultivos, como milho, sorgo, trigo e girassol", afirmou o presidente da Anapo, Reynaldo Díaz, em encontro com a imprensa na cidade de Santa Cruz.

De acordo com o dirigente, as perdas registradas pelos filiados da Anapo superam os US$ 180 milhões, o que resultou em um pedido ao governo para que promova "medidas estruturais para a reativação econômica dos produtores e garantir a produção de alimentos".

A entidade representa cerca de 14 mil agricultores, 80% deles pequenos agricultores.

A Câmara Agropecuária do Oriente (CAO), que reúne as 18 associações de agricultores, pecuários e agroindustriais de Santa Cruz, incluindo a Anapo, reportou perdas de US$ 500 milhões.

O presidente Evo Morales e seus ministros se reuniram há duas semanas com representantes da CAO e da Anapo para escutar suas preocupações e propostas para enfrentar a seca e garantir a produção de alimentos.

No dia 2 de agosto, Evo lançou uma série de medidas de apoio à produção agropecuária que, segundo Díaz, no entanto, "são insuficientes para solucionar os problemas" dos produtores.

"Necessitamos de reativação econômica, segurança jurídica, preços justos para nossa produção e acesso à tecnologia moderna para enfrentar a mudança climática e o ataque de pragas", detalhou.

O presidente da Anapo indicou que, se estas necessidades não forem atendidas, a semeadura de mais de um milhão de hectares no próximo verão estará em risco.

Entre as propostas do setor, Díaz mencionou a criação de um fundo através do Banco de Desenvolvimento Produtivo e do Banco União, ambos estatais, para "injetar capital operacional" aos produtores e "comprar a dívida em moratória que têm os agricultores com as indústrias e as provedoras de insumos e maquinarias".

Díaz também pediu para que seja revisada a legislação de crédito para permitir que os agricultores possam obter empréstimos junto aos bancos colocando como garantia o título de propriedade de suas terras.

Além disso, pediu a liberação da exportação de soja para que os agricultores recebam "um preço justo" por sua produção e iniciem um processo para avaliar e permitir o uso de "novos eventos "biotecnológicos" nos cultivos desse grão e do milho.

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