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IGP-M de maio deve desacelerar mesmo com alta recente do dólar, diz FGV

Maria Regina Silva

São Paulo

A taxa mensal do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de maio deve voltar a desacelerar em março, mesmo com a depreciação cambial recente, estima o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). "Se esse movimento de alta do dólar se tornar permanente, passará a preocupar, pois de fato afetaria a inflação", afirma.

Contudo, o economista pondera que o aumento menor que o esperado dos gastos dos consumidores nos EUA pode limitar as expectativas de mais altas na taxa de juro no país e, consequentemente, diminuir a pressão sobre o dólar. Isso, acrescenta, também deixaria os IGPs mais contidos. No primeiro trimestre, os gastos dos consumidores norte-americanos subiram 1,1%, bem abaixo da alta de 4,0% do quarto trimestre e o resultado mais fraco desde meados de 2013. "Essa volatilidade do dólar pode ser encerrada e não tem tanto impacto na inflação", estima.

Porém, Braz acrescenta que 2018 reserva muito desafio para a taxa cambial, em especial por conta da incerteza eleitoral, embora ainda espere que não ocorram tantas surpresas negativas que possam afetar o câmbio. Além do efeito sobre a inflação, um aumento permanente do dólar também acaba por trazer efeitos desfavoráveis na atividade. "Uma depreciação do real mais forte e por mais tempo tende a afetar importação de máquinas, que é fundamental para fomentar a atividade", observa

Abril

Em abril, o IGP-M atingiu 0,57% depois de subir 0,64%. O resultado ficou dentro do intervalo das expectativas da pesquisa do Projeções Broadcast (0,39% a 0,58%), mas veio maior que a mediana de 0,53%. O indicador avançou em 12 meses, de 0,20% para 1,89%. No ano, o acumulado registra elevação de 2,05% ante 1,47%. Em 12 meses, o IGP-M também superou a mediana de 1,85%, mas ficou dentro do intervalo esperado (de 1,72% a 1,91%).

"A queda do minério de ferro de -1,88% para -9,53% ajudou muito na desaceleração do IPA e consequentemente do IGP-M. Os alimentos in natura também permitiram alívio", diz. A taxa do subgrupo alimentos in natura passou de 9,86% em março para 2,50% em abril.

Em contrapartida, acrescenta, a variação da soja ainda continuou evada, em 6,52% ante 5,78% em março, assim como o milho, cuja taxa atingiu 10,65% após 11,41% no terceiro mês do ano. "Esse movimento de alta da soja já era esperado, como reflexo da quebra de safra na Argentina, mas daqui a pouco isso deve arrefecer", estima.

Além disso, diz, os combustíveis também limitaram um arrefecimento maior do IPA (de 0,89% para de 0,71% em abril), "tanto por causa do diesel quanto pelo aumento da gasolina", afirma. Em abril, o diesel ficou 8,36% mais caro depois da queda de 3,13%, enquanto os preços da gasolina avançaram 6,54% após recuo de 0,22% em abril. A despeito disso, o IPA Industrial diminuiu o ritmo de elevação de 0,12% para 0,03% em abril. Já o IPA Agropecuário, passou de 3,28% para 2,74%.

Para Braz, a tendência é que os preços de combustíveis comecem a pressionar menos, assim como os alimentos ajudem a conter o IGP-M de maio, fazendo com que a taxa mensal fique menor que a de 0,57% em abril. "A oferta de alimentos in natura tende a entrar em um período de oferta mais abundante. Também esperamos descompressão do efeito de alta do reajuste dos medicamentos no fim de março, e ainda não estimamos pressão elevada em energia elétrica", estima.

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