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Instituições recomendam à Caixa melhorar atendimento a moradores de rua em SP

Agência da Caixa - Everson Bressan/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Agência da Caixa Imagem: Everson Bressan/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Paulo Roberto Netto

São Paulo

23/08/2020 17h37

O Ministério Público de São Paulo, o Ministério Público Federal e as Defensorias Públicas da União e do Estado assinaram recomendação conjunta à Caixa para que o banco aperfeiçoe, em cinco dias, práticas para garantir melhor atendimento à população em situação de rua da capital paulista no pagamento do auxílio emergencial.

O documento foi elaborado, segundo as instituições, após tentativas 'infrutíferas' de contornar a situação. Segundo a Promotoria, Procuradoria e Defensoria, a Caixa desistiu no prosseguimento dos trabalhos conciliatórios até então conduzidos pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

As entidades apontam que receberam relatos da Pastoral do Povo da Rua, do padre Júlio Lancellotti, sobre 'despreparo e falta de conhecimento e treinamento adequado e humanizado' de gerentes e funcionários da Caixa para realizar o atendimento humanizado e inteligível dos moradores de rua - a situação é agravada com a 'insuficiência de estratégias de comunicação e informação' e a 'recusa no fornecimento de protocolo ou documento comprobatório diante do não pagamento ou impossibilidade de saque'.

"Isso ocorre porque parte expressiva da população em situação de rua não é bancarizada ou beneficiária do Bolsa Família, não possui ou possui baixo grau, de alfabetismo digital e, por isso, geralmente o atendimento não tem condições de ser feito via aplicativo ou por caixa de autoatendimento, sem assessoria", informam as entidades.

Relatos do Projeto Canicas, de Fábio Andó Filho, repassados às instituições dão conta de que também há 'dificuldade para cadastramento, atendimento e saque dos valores por migrantes porque não há uniformidade na aceitação dos documentos por eles apresentados nas agências', além de dificuldades de compreensão no atendimento, que não conta com tradutores ou funcionários habilitados.

As recomendações à Caixa pedem que o banco contrate ao menos um assistente social para as agências com maior movimentação de pessoas em situação de rua na capital, um tradutor que possa auxiliar estrangeiros que não falam português e instalações onde moradores de rua possam deixar seus pertences e não sejam impedidos de entrar nas agências.

Além disso, as instituições pedem que orientações transmitidas por funcionários devem ser claras, principalmente sobre o código de verificação gerado para o recebimento das parcelas do auxílio emergencial e as datas em que ele será devido. Em caso de impossibilidade de saque, o banco também deverá fornecer comprovante de comparecimento à agência com descrição dos motivos pelos quais o benefício não pôde ser sacado.

Com a palavra, a Caixa

A reportagem entrou em contato com a Caixa Econômica Federal e aguarda resposta. O espaço está aberto a manifestações.