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Mercado de tecnologia vive novo boom e empresas disputam investidores

Larissa Coldibeli

Do UOL, em São Paulo

O Brasil vive um novo momento de boom nos negócios de tecnologia e internet, com centenas de empresas inovadoras surgindo (as chamadas startups) e disputando o capital de  investidores ávidos por oportunidades com potencial de alta lucratividade. 

Segundo a ABS (Associação Brasileira de Startups), a estimativa é que existam 6.000 startups no Brasil. Os principais negócios estão no comércio eletrônico setorial e no de aplicativos para celulares e tablets. 

A VestesBr, portal dedicado à indústria de confecções, é um exemplo. A empresa recebeu aporte de R$ 5 milhões de um investidor-anjo para ampliar sua atuação no Brasil até o final do ano. "As indústrias do setor não tinham uma presença digital significativa e o investidor viu no projeto potencial para suprir essa lacuna", diz Vanessa Wander, uma das sócias.

Já o Bougue aposta na interação para atrair consumidores e profissionais em uma grande plataforma de oferta de serviços. Também apoiado por um investidor-anjo, que disponibilizou R$ 1 milhão, a empresa investirá no desenvolvimento de um aplicativo para celular e tablet. "O dinheiro é usado para manutenção do negócio, pois não temos rentabilidade. O produto pago ainda não foi lançado", diz o fundador Fernando Canuto.

Especialistas descartam nova bolha no setor

O cenário está fértil para o nascimento dessas empresas e exibe casos de sucesso rápido como Dafiti, Netshoes e Decolar. Embora isso possa relembrar a bolha dos anos 2000, quem está no meio defende que o momento é diferente, especialmente para o Brasil, e que os investidores aprenderam as lições de mais de uma década atrás, quando a bolsa Nasdaq quebrou.

Cassio Spina, fundador da Anjos do Brasil, organização criada para fomentar o crescimento do investimento-anjo no Brasil, diz que, apesar do grande número de startups disputando capital, o momento é favorável para quem abre uma empresa de tecnologia no país e busca investimento.

"Por causa da crise internacional, os investidores estão procurando locais onde as condições estão mais favoráveis. A economia brasileira está razoável e atraente", diz.

Investidores estão mais criteriosos

Ao contrário do que aconteceu no início dos anos 2000, quando muitas empresas pontocom supervalorizadas fecharam as portas, os critérios estão mais rigorosos para que um fundo faça um desembolso. As empresas contempladas precisam possuir negócios consistentes e com potencial para dar certo.

"Naquela época, a euforia era tão grande que se investia em qualquer coisa. O empreendedor vinha com uma apresentação no computador e saía com um cheque de milhões. Hoje, a visão é diferente, os investidores querem algo estruturado, que já tenha um protótipo, não basta só uma ideia na cabeça", diz Spina.

Ele afirma que o tipo de aporte depende do estágio em que a empresa está. "No início da empresa, é mais comum que o investidor-anjo aposte. Os fundos de capital entram quando a empresa já está operando, com um modelo de negócio validado", diz.

Empreendedores têm postura diferente dos de 10 anos atrás

Os empreendedores também têm buscado maior preparação antes de sair em busca de capital, segundo Fernando de la Riva, diretor-executivo da Concrete Solutions, consultoria especializada no desenvolvimento de negócio digitais. Não é rara a presença de brasileiros no exterior, em locais como o Vale do Silício, que são referência em tecnologia.

"Na época da bolha da internet, o objetivo era fazer a empresa crescer rápido para lançar ações na bolsa Nasdaq. Hoje, o objetivo é ter crescimento sustentável, crescer proporcionalmente ao nível de aprendizado e conseguir investimento proporcional à validação do negócio", declara.

Hoje é mais barato investir numa startup do que em 2000

Riva diz que o volume de investimentos ficou menor com as inovações que aconteceram em uma década, como a chegada da computação em nuvem, que dispensa o espaço reservado a servidores, por exemplo.

"Está mais barato investir. O que antes se fazia com R$ 10 milhões, hoje se faz com R$ 500 mil. Além disso, os investidores estão mais maduros e começam a se especializar nas etapas do processo, como implantação e desenvolvimento. O objetivo não é só faturamento, mas outros ativos, como base de usuários."

Ele recomenda que os empreendedores adiem ao máximo os investimentos externos, para adquirirem experiência e validarem seu modelo de negócio, pois, assim, a empresa valerá mais. "O empreendedor tem que se autofinanciar, ter parceiros com perfis complementares e buscar conhecimento, que pode vir por meio de mentores e conselheiros", declara.

É natural que poucas sobrevivam 

Faz parte do conceito de uma startup, por definição, trabalhar num cenário de incerteza e, por isso, é natural que algumas delas não vinguem. As que sobrevivem são as que encontram, como todo negócio de sucesso, um mercado para atuar e absorver seus produtos.

"É muito importante que os empreendedores não pensem em montar uma startup porque está na moda ou para os outros investirem. A empresa tem que atender a uma necessidade real e buscar oportunidades no mercado. Há um processo de seleção natural bem rigoroso neste aspecto", diz Cassio Spina, da Anjos do Brasil.

Baixo custo de infraestrutura é o que torna abertura simples

O que contribui para a expansão rápida do empreendedorismo neste setor é o fato de essas empresas muitas vezes dispensarem custos de infraestrutura. Em geral, nascem do conhecimento em tecnologia de jovens empreendedores dispostos a arriscar. A rede social Facebook, por exemplo, começou num alojamento universitário.

Com conhecimento técnico e mentores que orientam a gestão da empresa, muitos empreendedores partem em busca de investidores que mobilizem capital para fazer o negócio rodar. O dinheiro pode vir de pessoas físicas, conhecidos como investidores-anjo, ou de sociedades de capital de risco, especializadas neste tipo de operação. O valor médio do investimento é R$ 500 mil, de acordo com a ABS.

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