IPCA
0.19 Jul.2019
Topo

Ferrorama, Mirabel, Lollo: antigos sucessos voltam ao mercado

Aiana Freitas

Do UOL, em São Paulo

21/09/2012 06h00

"Ele voltou". Estampada em embalagens e caixas, esta frase tem sido a aposta de um número crescente de empresas em 2012. Fabricantes de chocolates, biscoitos, tênis e brinquedos, entre outros produtos, têm investido no relançamento de produtos que foram febre no passado.

Além de seguirem a tendência retrô que tomou conta do mercado, as empresas atendem também ao apelo dos consumidores, que inundam as redes sociais com fotos e mensagens saudosistas sobre produtos que fizeram parte de sua infância.

Nesta semana, a Nestlé anunciou o retorno do chocolate Lollo, que foi sucesso na década de 80 e foi substituído pelo Milkybar em 1992, por recomendação da matriz da empresa, na Suíça. O Milkbar estava sendo vendido até há pouco, mas agora volta com o nome, a receita original e o desenho da vaquinha característico da embalagem antiga.

O resgate do Lollo foi a segunda iniciativa do tipo tomada pela Nestlé nos últimos meses. Em 2011, o Kit Kat, que tinha parado de ser vendido no Brasil em 1994, foi relançado no país.

Genius era brinquedo mais pedido da Estrela

Brinquedos clássicos do passado também voltaram às gôndolas das lojas este ano. A Estrela relançou o Genius, que tinha saído do mercado em 1983. "Nos últimos anos, o Genius era campeão de pedidos nos atendimentos que fazemos no nosso SAC", diz o diretor de marketing da Estrela, Aires Leal Fernandes.

A empresa, que faz 75 anos em 2012, aproveitou a comemoração para relançar o produto no mesmo molde em que era feito antes e com a mesmíssima embalagem.

Outro brinquedo que foi recolocado no mercado este ano pela Estrela foi o Boca Rica, também da década de 80. Este, porém, ganhou nova embalagem e sons eletrônicos.

Fernandes diz que, além de acompanhar as manifestações feitas por telefone, a Estrela monitora as redes sociais e faz pesquisas para descobrir se um produto que foi sucesso no passado terá aceitação. Isso não impede, porém, que a empresa corra alguns riscos.

Em 2010, por exemplo, a Estrela decidiu voltar a vender o Ferrorama depois de receber uma enxurrada de pedidos pelo Orkut. O produto foi relançado com uma série de novidades, como luzes e controle de velocidade do trenzinho.

“Recebemos várias reclamações de consumidores mais tradicionalistas, que queriam o Ferrorama igual ao do passado”, diz Fernandes. Hoje, a empresa vende tanto a versão moderna como a antiga.

Outro produto que voltou ao mercado em 2012, depois de anos sem ser vendido, foi o lanchinho Mirabel. A marca pertencia à Mabel, que foi comprada pela Pepsico. O produto foi relançado depois de uma pesquisa de mercado realizada em todo o país pela empresa.

Para algumas marcas, desafio é retomar credibilidade

Algumas empresas, por outro lado, apostam em produtos que não chegaram a sair do mercado, mas perderam o apelo que tinham no passado. Em 2008, a Nutricandy passou a administrar a marca Dip'n'Lik, pirulito vendido num saquinho nos anos 80.

O dono da Nutricandy, Sérgio Negrão, afirma que o maior desafio foi resgatar a credibilidade com os distribuidores.

"Por muitos anos, a distribuição do produto ficou muito restrita, por isso, num primeiro momento, enfrentamos muita desconfiança. Aos poucos conseguimos reativar a distribuição e planejamos para 2013 nossa primeira ação de publicidade", diz Negrão.

Ao relançar produtos que foram sucesso no passado, as empresas têm duas vantagens, diz o professor da faculdade de Publicidade e Propaganda da Faap Sílvio Sato.

"Além de conquistarem os antigos consumidores por meio da memória afetiva, apresentam estes produtos para pessoas que não o conheciam. Conseguem, assim, ampliar seu público."

Para Sato, o desejo do consumidor de rever produtos que marcaram seu passado não é novo, mas ganhou reforço com a popularização das redes sociais na internet.

"As redes sociais reúnem pessoas que têm afinidades e interesses comuns, o que estimula a troca de opiniões pelos fãs de uma marca, por exemplo. Como as empresas monitoram as redes constantemente, elas acabam percebendo que podem trazer de volta marcas que foram importantes para uma geração", diz Sato.

Mais Economia