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Empreendedor deve analisar se mercado está saturado antes de investir

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

09/04/2013 06h00

Entrar no mercado para bater de frente com empresas renomadas é um risco para pequenos empreendedores. As grandes marcas possuem espaço na mídia, poder de barganha com fornecedores e alcance que as pequenas dificilmente conseguem igualar.

Antes de investir em um novo mercado, também é preciso avaliar se ele não está saturado. Segundo especialistas, todos os negócios que envolvam a internet oferecem oportunidade. Já a área de escolas de idiomas e de informática não é mais atrativa para investir.

"Dentro do público atendido pelas grandes companhias pode haver, por exemplo, uma fatia que não é tão interessante para elas e, por isso, é pouco explorada. Mas é preciso avaliar se outra empresa já não viu isso e começou a investir antes de você", explica Ana Vecchi, sócia da consultoria Vecchi Ancona.

Segundo Vecchi, ao identificar as necessidades de um grupo, o empreendedor pode criar a oportunidade que queria para entrar nesse mercado.

É o caso dos empresários Silvio Ferreira de Souza e Joshua Kempf. Os dois abriram empresas depois de notarem nichos de mercado esquecidos pelas maiores empresas dos setores em que atuam.

Antes de se arriscar em terra de gigantes, no entanto, o empreendedor precisa entender o mercado no qual pretende entrar e quais necessidades do seu público-alvo não são atendidas, diz Vecchi.

“Se os clientes fazem parte de uma classe social que não é a do empresário, por exemplo, ele tem de entrar no universo deles, saber como se comunicam e do que eles gostam”, declara.

Veja 5 dicas para entrar no mercado dos grandes

  • 1

    Evite "bater de frente"

    As grandes empresas têm mais espaço na mídia, maior poder de barganha com fornecedores e maior alcance. Disputar o mesmo cliente é um "tiro no pé"

  • 2

    Explore nichos menores

    Um grupo de clientes que é pequeno demais para os grandes e, por isso, pouco explorado, pode virar um mercado lucrativo

  • 3

    Estude o público-alvo

    Se os clientes fazem parte de uma classe social que não é a do empresário, ele tem de entrar no universo deles, saber como se comunicam e do que eles gostam

  • 4

    Conheça a concorrência

    Não basta analisar apenas os grandes. É preciso checar se já existem empresas menores atendendo as brechas deixadas por elas, quais são as boas e as ruins e quais necessidades não atendem

  • 5

    Faça parcerias

    É possível criar um negócio e fazer parceria com as grandes marcas. O crescimento do negócio tende a acelerar, mas há a possibilidade de o grande querer comprá-lo

    De acordo com a consultora, a análise antes de entrar em um mercado deve ser bem criteriosa.

    “O empresário não pode se ater só ao grande. Ele tem de saber quem são os concorrentes, quais deles são os bons e os ruins e o que eles estão deixando de fazer pelos clientes”, diz.

    Pequenos podem virar parceiros

    Para o coordenador do núcleo de empreendedorismo da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), Marcos Hashimoto, antes de disputar um mercado com empresas de grande porte, o empreendedor tem de avaliar se o nicho de mercado que pretende atacar é rentável.

    Se a quantidade de possíveis clientes não for suficiente para gerar lucro, não é viável investir.

    Em alguns casos, no entanto, é possível até fazer parcerias com grandes empresas dentro de um mesmo setor para atender nichos menores. De acordo com Hashimoto, a prática é mais comum nos segmentos de tecnologia da informação e telecomunicações.

    “Há empresas com interesse em outros mercados, mas, às vezes, a estrutura burocrática não permite a elas atuarem nestas áreas”, afirma.

    No caso de uma parceria, o pequeno negócio se beneficiaria com o crescimento acelerado. Porém, se a parceria for bem-sucedida, a grande empresa pode ter interesse em comprar a operação menor.

    “Aí vai depender do que o empresário quer para o futuro. Ele pode vender o negócio e começar outro ou então se tonar uma ameaça para o grande”, declara Hashimoto.

    Economia