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Saiba como transformar um carro em um negócio sobre rodas

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo (SP)

2013-08-19T06:00:00

19/08/2013 06h00

Fazer de uma van uma temakeria, um restaurante de comida mexicana, um pet shop móvel ou outro negócio sobre rodas exige cuidados. Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que as alterações não devem envolver as partes mecânica e elétrica originais do veículo.

"Sem o devido cuidado, o carro pode sofrer pane e ter o funcionamento prejudicado", diz o diretor de segurança veicular da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), Marcus Aguiar.

Segundo a diretora comercial da FAG Brasil, empresa de adaptação de veículos, Gislene Gonçalves Viana, os modelos mais utilizados como negócios móveis são vans e furgões.

Na lista, entram Citroën Jumper, Fiat Ducato, Iveco Daily, Mercedez Sprinter, Peugeot Boxer e Renault Master. O valor desses veículos 0 km varia de R$ 75 mil a R$ 110 mil, de acordo com a tabela Fipe, referência para consulta de preços de automóveis.

Outros menos usados são Fiorino, Kombi e Towner. Com base na tabela Fipe, os preços variam de R$ 25 mil a R$ 60 mil para modelos 0 km.

Além da aquisição do veículo, há também o investimento com a adaptação, que pode variar de R$ 30 mil a R$ 70 mil, segundo Viana.

Alguns exemplos são as empresas Temaki Point, La Buena Station e Aracê Embelezamento Animal, que investiram de R$ 140 mil a R$ 200 mil (incluindo a compra do veículo) para montar negócios sobre rodas.

"Para minimizar os custos, o empresário pode comprar uma van usada, mas precisa estar em bom estado para não comprometer o negócio dele", afirma.

Com mudanças, veículo ganha cerca de 300 kg

As modificações incluem o revestimento interno da cabine com inox, o que facilita a limpeza, adesivagem externa, instalação de um toldo, reservatório de água e um gerador de energia.

"O gerador e o reservatório de água ficam isolados na parte de trás do veículo para evitar acidentes. Toda a parte mecânica e elétrica do carro é mantida intacta", afirma Viana.

De acordo com ela, após a adaptação, o veículo ganha cerca de 300 kg e permanece dentro do limite de peso estipulado pelo fabricante. No caso dos furgões e vans, a carga máxima varia de 1 t a 1,5 t, segundo a ficha técnica.

Lei não permite mudar altura e largura de veículos

De acordo com Aguiar, qualquer modificação no veículo deve seguir as determinações da Resolução 292, do Contran (Conselho Nacional de Trânsito). Alterações na largura, no conjunto de molas e no sistema de suspensão são proibidas pela norma.

Quando instalados equipamentos, como chuveiros elétricos, secadores e fornos, o especialista da AEA diz que é preciso checar se a bateria do automóvel tem potência suficiente para fazer os aparelhos funcionarem.

Caso contrário, o empreendedor precisará de outra fonte de energia. “Esses equipamentos precisarão estar ligados a um gerador alternativo ou mesmo a tomadas fixas para funcionarem”, declara.

Aguiar afirma, ainda, que utilizar gás para preparar alimentos não é recomendável. “A legislação não proíbe, mas o risco de incêndio é maior quando o veículo carrega um botijão de gás.”

Antes de fazer qualquer alteração no veículo, Aguiar diz que o empresário precisa comunicar o Detran (Departamento de Trânsito). Depois de modificado, o automóvel precisa passar por uma avaliação em um posto regional do órgão para emissão do CSV (Certificado de Segurança Veicular).

Com o CSV em mãos, o empreendedor deve ir novamente ao Detran para alterar a documentação do veículo.

Capitais têm mercado maior para revenda de veículo

Caso o empreendedor queira trocar de carro ou o negócio não obtenha o sucesso esperado e ele queira se desfazer do veículo, o consultor de negócios automotivos Harry de Lima Franco Junior diz que há mercado para a revenda, principalmente nas capitais.

No entanto, ele afirma que o empreendedor tem mais chances de vender o veículo separadamente dos equipamentos adicionais. “Sem a aparelhagem do antigo negócio, o número de potenciais compradores interessados apenas no veículo aumenta.”

O especialista diz, ainda, que há uma fatia de compradores, um pouco mais restrita, que podem ter interesse nos equipamentos. 

De acordo com o consultor, todo veículo sofre uma desvalorização de 10% a cada ano. Mas, na prática, o estado de conservação e a necessidade das partes envolvidas na revenda do automóvel influenciam o preço.

“Ter um secador, por exemplo, não influencia o preço do veículo. O que pode elevar ou reduzir o valor é a serventia que ele terá para o comprador e o estado de conservação do carro”, declara.

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