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Juros

Juros sobem para 9%, e poupança rende mais com volta ao padrão antigo

Do UOL, em São Paulo

28/08/2013 19h39Atualizada em 30/08/2013 14h23

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, subiu a taxa básica de juros (a Selic) em 0,5 ponto percentual, indo para 9% ao ano (estava em 8,5%). É a quarta reunião seguida do Copom em que os juros aumentam. A decisão foi unânime.

Com isso, a poupança volta a render como antigamente: as cadernetas passam a dar retorno de 6,17% ao ano mais a TR. Até agora o rendimento estava em 5,95%.

No ano passado, com a queda de juros, o governo mudou a regra de remuneração da poupança para evitar que grandes investidores largassem os títulos do governo e fossem para a poupança.

A nova regra determinou que, quando os juros básicos da economia estivessem iguais ou inferiores a 8,5% ao ano, a caderneta renderia 70% da Selic mais a TR. Se os juros subissem além de 8,5%, valeria a regra tradicional. É o que está acontecendo agora.

O Banco Central divulgou nota em que destaca a importância do combate à inflação na sua decisão de aumentar os juros para 9%. "O comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", diz o documento distribuído pelo Copom.

Para o diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, mesmo com a elevação da taxa básica de juros para 9% ao ano, os rendimentos da poupança vão continuar “interessantes” quando comparados com os fundos de renda fixa.  

Os analistas já esperavam uma alta da taxa de juros para combater a inflação, que tem preocupado o governo. Quando os juros sobem, as pessoas tendem a gastar menos e isso faz o preço das mercadorias cair, controlando a inflação, em tese.

Por outro lado, juros altos seguram a economia e fazem o PIB (Produto Interno Bruto) ficar baixo.

Em 2012, governo impulsionou onda de cortes nos juros

O governo tomou em 2012 medidas para reduzir os juros diretos ao consumidor. A onda de cortes de juros nos bancos começou com os bancos públicos e continuou com os bancos privados.

A preocupação com os juros é que eles dificultam o crescimento da economia. Com juros mais altos, as empresas investem menos, porque fica caro tomar empréstimos para produção, e as pessoas também reduzem seus gastos, porque o crediário fica mais caro. Essa situação deixa a economia com menos força.

Por outro lado, com juros mais baixos, há mais consumo e mais risco de inflação, porque as pessoas compram mais e nem sempre a indústria consegue produzir o suficiente. Quando há falta de produtos, a tendência é que eles fiquem mais caros.

A taxa básica de juros orienta o restante da economia, mas há pouco impacto na vida prática de quem precisa usar o cheque especial ou cartão de crédito. Analistas dizem que essas taxas são tão altas que pequenas variações na Selic são incapazes de aliviar ou pesar no bolso no dia a dia.

Antes do início do governo Dilma, a Selic estava em 10,75% ao ano. No primeiro mês dela (janeiro de 2011), subiu para 11,25%. Depois foi caindo. Chegou ao menor nível entre agosto de 2012 e março de 2013, quando ficou em 7,25% ao ano.

A Selic é usada pelo BC para tentar controlar o consumo e a inflação ou estimular a economia. Quando a taxa cai, estimula o consumo. Quando sobe, reduz a atividade econômica porque os empréstimos e as prestações ficam mais caros.

O Copom foi instituído em junho de 1996 para estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros, mas a Selic já era usada como indicador desde 1986.

O colegiado é composto pelo presidente do Banco Central e os diretores de Administração, Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, Fiscalização, Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural, Política Econômica, Política Monetária, Regulação do Sistema Financeiro, e Relacionamento Institucional e Cidadania.

Entenda as mudanças nas regras da poupança

Pelas novas regras da poupança, adotadas em 2012, sempre que a Selic ficar em 8,5% anuais ou menos, muda o rendimento dos depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

O rendimento da nova poupança passou a variar conforme a Selic. Com juros baixos, a poupança rende menos porque, pelas novas regras, determinadas em maio de 2012, o rendimento fica menor sempre que a Selic estiver em 8,5% ou menos ao ano.

O governo fez isso para desestimular que grandes investidores migrassem para a poupança, diante da menor rentabilidade de outras aplicações movidas a juros.

A mudança vale para poupanças que já existiam e para as que foram abertas a partir de 4 de maio de 2012. O dinheiro que já estava nas poupanças antigas continua rendendo conforme as regras anteriores.

O que mudou para essas contas antigas foram os novos depósitos. Estes entram na regra nova.

Com os juros em 8,5% ou menos ao ano, a "nova" poupança rende 70% da Selic, mais a TR (Taxa Referencial). Para os depósitos feitos antes de 3 de maio de 2012, nada muda. Nesse caso, o rendimento continua sendo o antigo, de 0,5% ao mês (ou 6,17% ao ano), mais a variação da TR.

Os bancos têm de informar o rendimento da poupança em blocos diferentes no extrato. Um dos blocos informa o rendimento dos depósitos feitos até 3 de maio de 2012. Os outros trazem o rendimento dos depósitos feitos depois de 4 de maio de 2012.

Para calcular quanto vai ganhar, o poupador deve sempre considerar a Selic vigente no dia em que ele efetuou o depósito.

(Com informações de Agência Brasil e Reuters)

 

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