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Construtora lança apartamento de 18 m² por R$ 270 mil; tendência é o aperto

Aiana Freitas

Do UOL, em São Paulo

A onda de lançamentos de microapartamentos, que teve início há alguns anos, continua forte no mercado imobiliário brasileiro.

As construtoras Setin e Patrimar lançaram recentemente imóveis com 18 m² de área, um a menos do que o apartamento de 19 m² que foi apresentado pela Vitacon ao mercado no ano passado.

Os apartamentos são vendidos como studios, que nada mais são do que uma versão moderna das antigas quitinetes, com quarto, sala e cozinha concentrados num só ambiente.

A Setin lançou, no fim de setembro, o projeto Downtown São Luís, no centro de São Paulo. O prédio tem 218 unidades, com metragens que variam de 18 m² a 42 m².

O preço médio do metro quadrado é de R$ 15 mil, o que faz o imóvel de 18 m², classificado pela empresa como "o menor do país", custar cerca de R$ 270 mil. O prédio tem, entre as áreas comuns, uma lavanderia coletiva.

Belo Horizonte também tem imóvel de 18 m²

Apesar de a Setin se apresentar como criadora do menor apartamento do Brasil, pelo menos outra construtora tem um projeto parecido.

A Patrimar Engenharia lançou em julho, em Belo Horizonte (MG), o Manhattan Square, com 150 apartamentos cujas áreas variam de 18 m² a 119 m².

A empresa não divulga o preço do metro quadrado. O prédio tem áreas comuns com serviços pagos por uso, entre eles o de massagem, manutenção e limpeza.

Há pouco mais de um ano, a Vitacon, especializada em imóveis pequenos, lançou na Vila Olímpia, em São Paulo, um empreendimento com apartamentos que, até então, eram considerados os menores do país.

Os imóveis têm apenas um metro quadrado de área a mais do que os lançamentos recentes da Setin e da Patrimar, e foram vendidos por preços a partir de R$ 266 mil.

Tendência deve continuar nos próximos anos

Os lançamentos de imóveis de pouca metragem devem continuar nas grandes regiões metropolitanas, diz o professor João da Rocha Lima, coordenador do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

"Os custos de terrenos e construção dos imóveis vêm crescendo acima da renda do público para os quais eles são dirigidos. A única forma de o mercado se adequar a essa realidade é oferecendo esse formato", afirma.

Rocha Lima cita o exemplo de um consumidor que tinha condições de comprar um imóvel de padrão nos bairros de Paraíso e Vila Mariana, em São Paulo, em 2005. Hoje, diz ele, esse mesmo consumidor só vai conseguir comprar um imóvel de padrão semelhante no ABC Paulista.

"Ou o consumidor mora no lugar em que gostaria, mas em um apartamento menor, ou mora longe e perde qualidade de vida por causa do deslocamento."

Não é por acaso, diz o especialista, que as empresas que vendem quitinetes investem em design, arquitetura e serviços extras. "É uma tentativa do mercado de ressaltar a qualidade, para superar o problema do tamanho."

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