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EUA sobem taxa de juros pela primeira vez desde 2006

Do UOL, em São Paulo

O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, elevou os juros pela primeira vez em quase uma década nesta quarta-feira (16). O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) subiu a faixa para sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para entre 0,25% e 0,50% ao ano. Esta é a primeira alta do preço do dinheiro desde 2006.

Os juros de referência nos Estados Unidos ficaram num nível historicamente baixo, entre zero e 0,25% ao ano, desde o final de 2008. Para efeito de comparação, a taxa de referência atual no Brasil (Selic) é de 14,25% ao ano.

Essa taxa é utilizada pelos bancos de um país como indicador-chave do valor dos juros que pagam ao tomar dinheiro emprestado do Banco Central --e, por sua vez, do dinheiro que emprestam a seus clientes. Disso dependem investimentos e despesas de consumo. 

"O Comitê julga que tem havido uma melhora considerável nas condições do mercado de trabalho este ano e está razoavelmente confiante de que a inflação subirá no médio prazo para sua meta de 2% (ao ano)", disse o Fed no comunicado de sua decisão, que foi unânime.

O Fed deixou claro que a alta de juros foi uma tentativa de começar um ciclo de aperto "gradual" e que, ao decidir o próximo passo, colocará em destaque o monitoramento da inflação, que permanece muito abaixo da meta.

"Considerando a inflação atual abaixo da meta de 2%, o Comitê vai monitorar com cuidado o progresso real e esperado a caminho da meta de inflação. O Comitê espera que as condições econômicas evoluam de forma a assegurar apenas aumentos graduais de juros", disse o Fed.

Como a mudança nos juros dos EUA afeta o mundo?

A taxa de juros dos EUA é capaz de modificar as regras do jogo da economia mundial. 

Com a alta dos juros por lá, os investidores podem começar a achar vantajoso aplicar seu dinheiro nos Estados Unidos, que são considerados uma economia forte e estável. Isso causaria a migração de recursos que atualmente estão aplicados nos mercados emergentes, como o Brasil.

A agência de classificação de risco Moody's afirma que o Brasil é um dos países emergentes que mais devem sofrer com a alta de juros dos EUA.

O país já enfrenta problemas causados pelos preços baixos das matérias-primas, pela desaceleração da China e, principalmente, pela crise interna, política e econômica.

Mas o presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, disse que a valorização do dólar neste ano preparou o Brasil para a alta dos juros nos EUA. 

Alguns analistas avaliam que, para o Brasil, a decisão nos EUA pesa menos do que a crise dentro de casa, com a turbulência política dificultando a aprovação das medidas para acertar as contas públicas e o risco de a presidente Dilma Rousseff ser retirada do cargo por meio de impeachment. 

(Com agências de notícias)

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