PUBLICIDADE
IPCA
0,64 Set.2020
Topo

Presidente assume Petrobras com lucro e criticada por preço de combustível

Roberto Castello Branco é o novo presidente da Petrobras - Allan Carvalho/Futura Press/Estadão Conteúdo
Roberto Castello Branco é o novo presidente da Petrobras Imagem: Allan Carvalho/Futura Press/Estadão Conteúdo

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

03/01/2019 17h30Atualizada em 03/01/2019 19h23

O economista Roberto Castello Branco tomou posse nesta quinta-feira (3) como novo presidente da Petrobras. Ele foi indicado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), para substituir Ivan Monteiro no comando da petroleira.

Castello Branco assume uma Petrobras criticada pela sua política de preços dos combustíveis e em meio a mudanças na gestão após o escândalo de corrupção revelado pela operação Lava Jato.

A petroleira tenta se recuperar após anos de prejuízos bilionários e de alto endividamento. Deve registrar, em 2018, o primeiro lucro em cinco anos. 

Partidário convicto das privatizações, Castello Branco defendeu publicamente a venda da estatal diversas vezes. Após ser indicado, em novembro de 2018, o economista afirmou que o plano é acelerar a exploração do pré-sal e vender empresas vinculadas à estatal. A expectativa é que a Petrobras dê sequência à venda de negócios que não estão ligados à sua atividade principal, que é a produção e exploração de petróleo.

Castello Branco é doutor em Economia pela FGV (Fundação Getulio Vargas) e amigo do ministro da Economia, Paulo Guedes, que, como ele, estudou na Universidade de Chicago, nos EUA. Foi executivo da mineradora Vale por 15 anos e fez parte do Conselho da Administração da Petrobras entre 2015 e 2016, indicado pela então presidente Dilma Rousseff (PT).

Preços dos combustíveis

Um dos principais desafios do novo comandante da Petrobras deve ser lidar com as críticas à política de reajustes nos preços dos combustíveis vendidos nas refinarias da petroleira.

Em meados de 2017, a estatal decidiu mudar a política de preços para adotar reajustes mais frequentes, até mesmo diários, em função da variação do dólar e das cotações do petróleo no mercado internacional. A regra mudou em setembro de 2018, quando a estatal decidiu que poderia segurar o preço da gasolina por até 15 dias. 

A ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) trabalha em uma regulamentação para dar maior transparência aos preços dos combustíveis. No ano passado, a agência reguladora abriu uma consulta pública para coletar sugestões da sociedade e de participantes do mercado sobre a formação dos preços dos combustíveis.

Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", em novembro, Castello Branco disse ser totalmente contra a política de controle de preços dos combustíveis, como a adotada pela ex-presidente Dilma Rousseff, e defendeu a livre formação de preços no setor.

Apesar das críticas, a gasolina da Petrobras vem caindo conforme o petróleo no exterior sofre quedas. Nesta quinta-feira, a estatal reduziu o preço do combustível em 2,73% nas refinarias, levando ao menor valor desde setembro de 2017. A queda nas refinarias, no entanto, não tem chegado ao consumidor nos postos.

Greve dos caminhoneiros

Em maio do ano passado, a política de preços da Petrobras enfrentou seu pior momento. Caminhoneiros entraram em greve e bloquearam estradas de todo o país, gerando uma grave crise no abastecimento de combustíveis e alimentos. Cálculo do extinto Ministério da Fazenda (hoje parte do Ministério da Economia) estima que a paralisação tenha tirado 1,2 ponto percentual do PIB (Produto Interno Bruto) de 2018.

Pressionado, o então chefe da Petrobras, Pedro Parente, pediu demissão do cargo.

Para encerrar a greve, o então presidente Michel Temer anunciou uma política de subsídio para baratear o diesel, que terminou em 31 de dezembro.

A greve dos caminhoneiros também resultou em mudanças na política de preços dos combustíveis. A estatal criou um mecanismo que permite congelar o preço do diesel por até sete dias em momentos de grande instabilidade (alta ou queda muito forte).

Prejuízos bilionários e venda de ativos

Após quatro anos seguidos de prejuízos --sendo o maior deles em 2015, de R$ 34,8 bilhões--, a Petrobras caminha para voltar a ter resultados positivos. Até setembro de 2018 --último dado disponível-- a estatal acumulava lucro de R$ 23,6 bilhões no ano.

Apesar disso, o endividamento da empresa continua alto, em US$ 88,1 bilhões (cerca de R$ 330,1 bilhões). Para reduzir esse valor, a Petrobras deve seguir com a estratégia de venda de negócios. Entre 2019 e 2023, a petroleira espera arrecadar US$ 26,9 bilhões (R$ 100,8 bilhões) com a venda de ativos, em especial nas áreas de refino e distribuição.

No entanto, a venda é incerta devido a uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que exigiu que vendas de subsidiárias controladas por estatais sejam aprovadas previamente pelo Congresso. Por causa dessa decisão, a Petrobras não conseguiu vender a TAG (empresa de gasodutos) e algumas refinarias no ano passado.

Lava Jato

Depois de estar no centro das investigações da operação Lava Jato, com ex-diretores investigados e condenados pela Justiça, a Petrobras tenta melhorar sua gestão e evitar casos de corrupção. Entre as medidas já adotadas, a empresa contratou escritórios especializados em governança, abriu um canal anônimo de denúncias e criou uma diretoria para cuidar do tema.

No começo do ano passado, a petroleira fechou um acordo no qual aceitou pagar US$ 2,95 bilhões (R$ 11,1 bilhões) para encerrar uma ação coletiva nos Estados Unidos. O processo foi movido por investidores que alegaram perdas por causa dos desvios de dinheiro revelados pela Lava Jato.

Basta cavar para achar petróleo?

UOL Notícias