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0.13 Mai.2019
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Guedes: Bolsonaro entendeu preço do diesel e não vai intervir na Petrobras

Evaristo Sá/AFP
Paulo Guedes, ministro da Economia Imagem: Evaristo Sá/AFP

Mariana Bomfim

Do UOL, em São Paulo

2019-04-16T18:18:25

2019-04-17T17:38:23

16/04/2019 18h18Atualizada em 17/04/2019 17h38

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse hoje que o presidente Jair Bolsonaro entendeu como funciona a política de preços dos combustíveis da Petrobras e não vai mais interferir nela.

A informação foi confirmada pela porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros. "Bolsonaro disse que não quer e não tem direito de intervir na Petrobras", afirmou.

As declarações foram dadas após uma reunião convocada pelo presidente para receber esclarecimentos sobre a política de preços. Além de Guedes, participaram o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e representantes da Petrobras e da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Na semana passada, as ações da Petrobras despencaram mais de 8% após a confirmação de que Bolsonaro ligou pessoalmente para a direção da Petrobras e a fez cancelar um aumento de 5,7% previsto para o preço do diesel. A atitude gerou críticas de especialistas do setor e fez a petroleira perder R$ 32 bilhões de seu valor de mercado.

Depois, o presidente declarou que não entende de economia e que o Brasil não pode continuar "com essa política de preços altos dos combustíveis".

Desde 2016, a Petrobras adota uma política de preços para seus combustíveis pela qual os valores praticados em suas refinarias no país devem seguir indicadores do mercado internacional, como cotação do barril de petróleo e valor do dólar.

"Diesel no meu chope"

Em entrevista após a reunião, Guedes disse que a Petrobras é independente para estabelecer preços e que Bolsonaro deixou claro entender que "seria fora de propósito manipular preços da estatal".

O ministro afirmou que o presidente teria se preocupado com o fato de o aumento anunciado ficar muito acima da inflação acumulada. Por isso, teria ligado para a direção da Petrobras e reclamado: "estou comemorando 100 dias de governo, e vocês vêm jogar diesel no meu chope".

Segundo o ministro, a interferência do presidente no aumento de preço teve uma "dimensão política", tendo em vista que "o Brasil praticamente parou" por causa da greve dos caminhoneiros, no ano passado.

Questionado sobre o efeito da intervenção nas ações da Petrobras, Guedes disse que o presidente tem preocupações que vão além do mercado financeiro.

"A preocupação [com os caminhoneiros] é legítima. Agora, com a maior sinceridade ele disse: me explica esse negócio aí [a política de preços da Petrobras]", disse o ministro.

Guedes: Diesel não é prioridade para caminhoneiro

Guedes afirmou que o governo já tomou medidas para atender as reivindicações dos caminhoneiros, sem intervir na política da Petrobras.

As medidas foram anunciadas pela manhã, em um pacote que inclui uma linha de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para os caminhoneiros e a liberação de recursos para obras em rodovias.

De acordo com o ministro, o preço do diesel não é prioridade dentre as reivindicações da categoria. Em uma lista com 13 pedidos, ele seria o penúltimo.

"Antes disso vinham as questões mais importantes, como segurança. O governo separou as coisas, e as preocupações dos caminhoneiros foram atendidas hoje de manhã", disse.

Caminhoneiros que participaram da paralisação de 2018, porém, criticaram as medidas e não descartam novas paralisações. Segundo lideranças, as principais reivindicações da categoria --cumprimento do tabelamento do frete e redução do preço do diesel-- não foram contempladas.

Em grupos de motoristas no WhatsApp, o pacote foi visto como "cortina de fumaça" para adiar uma possível greve.

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