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Petrobras cai 8% após intervenção de Bolsonaro no diesel; Bolsa perde 1,98%

Do UOL, em São Paulo

12/04/2019 17h38Atualizada em 15/04/2019 16h47

As ações da Petrobras fecharam em queda de mais de 8% hoje após o presidente Jair Bolsonaro pedir à companhia que cancelasse um aumento no preço do diesel. O pedido foi atendido, e o aumento, revogado.

O resultado da estatal puxou para baixo o Ibovespa. O principal índice da Bolsa brasileira fechou em queda de 1,98%, a 92.875 pontos, no quarto recuo seguido. É a pior queda em mais de duas semanas, desde 27 de março (-3,57%). É também o menor nível da Bolsa desde a mesma data. Na semana, o Ibovespa acumulou perdas de 4,36%, após duas altas semanais.

Perda de R$ 32,4 bilhões em valor de mercado

As ações ordinárias da Petrobras (com direito a voto em assembleia) fecharam em queda de 8,54%, enquanto as preferenciais (com prioridade na distribuição de dividendos) perderam 7,75%.

Com a queda, a empresa perdeu R$ 32,4 bilhões em valor de mercado, calculado ao multiplicar o valor de cada ação pelo total de papéis disponíveis no mercado.

Outras estatais também tiveram fortes reduções na Bolsa, caso da Eletrobras (-5,24%) e do Banco do Brasil (-3,17%).

Intervenção do governo na Petrobras

Bolsonaro confirmou hoje que ligou para o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, para questionar e pedir o cancelamento do reajuste. A decisão reacendeu o temor de investidores de que a estatal possa voltar aos tempos de intervenção e controle de preços pelo Planalto, o que, na visão da analistas, conflita com as promessas liberais do governo.

O presidente disse que está "preocupado também com o transporte de cargas no Brasil, com os caminhoneiros. Nós queremos um preço justo para o óleo diesel".

Mais cedo, o vice-presidente, Hamilton Mourão, defendeu que se tratava de uma interferência "pontual". "Tenho absoluta certeza de que ele [Bolsonaro] não vai praticar a mesma política da ex-presidente Dilma Rousseff no tocante à intervenção do preço do combustível e da energia", afirmou.

Maior valor em seis meses

O aumento de 5,7%, anunciado ontem por volta do meio-dia, deveria passar a vigorar a partir de hoje nas refinarias da companhia e levaria o preço do litro do diesel a R$ 2,2662, maior valor em seis meses. À noite, a companhia adiou o aumento e decidiu manter o preço atual, de R$ 2,1432 por litro, praticado desde 22 de março.

O movimento ocorre diante de uma recente insatisfação de caminhoneiros com o preço do diesel e dos fretes. No ano passado, a categoria organizou uma greve histórica por causa da alta do combustível mais consumido no país, o que abalou a Petrobras, culminando com a renúncia do então presidente Pedro Parente.

Recuo

No comunicado ao mercado emitido ontem, a Petrobras afirmou que segue "em consonância com sua estratégia para os reajustes dos preços do diesel" e que "avaliou, ao longo do dia, (...) que há margem para espaçar mais alguns dias o reajuste".

Desde 2016, a Petrobras adota uma política de preços para seus combustíveis pela qual os valores praticados nas refinarias no país devem seguir indicadores do mercado internacional como cotação do barril de petróleo e valor do dólar.

Após um ano em que os reajustes chegaram a ser diários, a companhia anunciou, em março, que poderia segurar a cotação do combustível por períodos mais longos nas refinarias, por até 15 dias.

(Com Reuters)

Petrobras recua e cancela aumento do diesel

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