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Presidente do BC sinaliza que não vai cortar juro para estimular a economia

Divulgação/Banco Central
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central Imagem: Divulgação/Banco Central

Antonio Temóteo

Do UOL, em Brasília

2019-05-16T13:20:39

16/05/2019 13h20

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou hoje que não vai reduzir os juros para estimular a economia no curto prazo se isso implicar em descontrole da inflação. Campos Neto participa de audiência pública conjunta de sete comissões no Congresso Nacional.

Segundo ele, o corte dos juros levaria a um "voo de galinha", expressão usada para caracterizar curtos períodos de crescimento, que ocorrem após estímulos do governo, como cortes na taxa básica de juros, a Selic. No longo prazo, esses estímulos não são suficientes para fazer a economia crescer de maneira sustentável.

A declaração de Campos Neto foi resposta ao questionamento de um parlamentar sobre a possibilidade de o BC reduzir os juros diante da fraqueza da atividade econômica. Analistas têm cortado sucessivamente as previsões para o PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, e já há quem projete alta inferior a 1%.

O corte dos juros é defendido por economistas ligados a partidos de esquerda, que pregam um papel maior do Estado como motor do crescimento. Campos Neto, de formação liberal, é contra a medida.

Os programas e iniciativas adotados nos últimos anos, com incentivo ao crescimento por meio de uso na máquina pública, se mostraram ineficientes. Não temos mais espaço para isso
Roberto Campos Neto, presidente do BC

Segundo ele, nos governo anteriores, o incentivo ao crescimento sacrificando o controle da inflação levou à última recessão da economia brasileira. "A crise de 2014 foi isso. Perdemos credibilidade e pagamos uma conta de recessão de 3,5% ao ano por dois anos", disse.

O economista declarou que sua formação liberal o leva a acreditar que o governo não deve ser grande e não deve estar presente em todas as áreas. "Sou a favor de todas as iniciativas para reduzir o tamanho do governo", disse.

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