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Azul tenta barrar entrada de Passaredo e MAP no aeroporto de Congonhas

Vinícius Casagrande

Colaboração para o UOL, em São Paulo

12/08/2019 17h12Atualizada em 12/08/2019 19h42

A Azul tem pressionado a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para tentar barrar a entrada das companhias aéreas Passaredo e MAP no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, nos horários (slots) deixados pela Avianca Brasil. Caso as concorrentes sejam impedidas de operar no aeroporto, a Azul poderia herdar todos os horários que eram da Avianca .

Inicialmente, as empresas tinham até a última sexta-feira (9) para apresentar a comprovação dos requisitos técnicos, mas o prazo foi adiado para hoje. A Anac deve decidir entre hoje e amanhã se barra ou não a operação das duas empresas em Congonhas.

Azul critica avião que ela mesma já usou

A Passaredo e a MAP receberam 14 e 12 slots que eram da Avianca, respectivamente, e pretendem operar com aviões turboélices do modelo ATR 72. A Azul, que recebeu 15 novos slots (já tinha outros 26), alega que o modelo de avião que as concorrentes querem usar não tem capacidade operacional e tem poucos assentos.

A Azul chegou até mesmo a enviar um estudo à Anac mostrando que o avião não teria condições de cumprir certas exigências de operação. A empresa afirma que enviou o estudo a pedido da Anac, mas a agência disse que não solicitou o documento e que a Azul enviou por iniciativa própria.

Apesar da ofensiva contra as operações de aviões ATR em Congonhas, a própria Azul já chegou a operar no aeroporto da capital paulista com o turboélice ATR 72. "Mas isso foi logo no início das operações em Congonhas e aos finais de semana, quando o impacto era menor", afirmou Marcelo Bento, diretor de relações institucionais da Azul.

Sugestão de colocar concorrentes na pista auxiliar

O presidente da Azul, John Rodgerson, negou que a empresa queira impedir a entrada da Passaredo e da MAP no aeroporto de Congonhas. Segundo ele, a Azul defende apenas que as duas empresas operem na pista auxiliar. Na prática, isso significa que as duas empresas não utilizariam os slots deixados pela Avianca, abrindo espaço para a Azul ter mais voos em Congonhas.

"Não temos medo da MAP e da Passaredo. Queremos que eles operem em Congonhas, mas queremos que operem na pista auxiliar para fazer melhor uso dos ativos. Se forem para a pista auxiliar, vai ter mais voos, e isso é bom para o consumidor", afirmou.

Uma fonte que pediu para não ser identificada afirmou, no entanto, que isso prejudicaria um potencial crescimento futuro das companhias. "As operações na pista auxiliar não criam uma garantia de slot e não dariam condição para operar um avião maior no futuro, como Boeing ou Airbus", disse.

Antes mesmo do anúncio da distribuição dos slots pela Anac, a Azul já criticava a possibilidade de outras empresas menores conseguirem espaço em Congonhas.

"A empresa acredita que a abertura do aeroporto da capital paulista a uma série de novos entrantes aumenta o número de empresas presentes em Congonhas, mas não acirra a competição. Operar slots em Congonhas com aeronaves menores e, consequentemente, com poucos assentos, representa um uso ineficiente desses valiosos recursos públicos, impedindo a entrada efetiva de qualquer novo concorrente na ponte aérea Congonhas-Rio e Congonhas-Brasília", afirmou, na época.

Velocidade na aproximação final

Na semana passada, a Azul enviou à Anac um estudo dizendo que os aviões da ATR não teriam condições de cumprir a velocidade mínima de aproximação final de 120 nós (222 km/h), exigida para operação em Congonhas das 7h às 9h e das 18h às 21h.

Segundo uma fonte que teve acesso ao documento, o problema é que o estudo da Azul calcula a velocidade com o avião vazio, com cerca de 19 toneladas. Nesse caso, a velocidade de aproximação final seria de 110 nós (204 km/h). No entanto, acima de 22 toneladas, com passageiros, carga e combustível adicional, a velocidade subiria para 121 nós (224 km/h), cumprindo as exigências.

O diretor de relações institucionais da Azul afirmou que os estudos consideram sim o peso máximo de pouso, de 22 toneladas, e que a velocidade recomendada pela ATR é de 110 kt a 112 kt.

Como a velocidade mínima é exigida em apenas alguns horários, a maioria dos voos solicitados pela Passaredo e pela MAP não seria afetada com essa restrição.

Um estudo que teria sido feito pela ATR apontaria que, mesmo com a diferença de velocidade de 110 nós para 120 nós, o impacto do tempo total na aproximação final do avião é de nove segundos. Por outro lado, o turboélice consegue sair da pista após o pouso 20 segundos mais rápido que os aviões maiores.

A restrição da velocidade seria para agilizar o fluxo do tráfego aéreo. Atualmente, a Passaredo já opera com o ATR 72 no aeroporto de Guarulhos (SP), mais movimentado que o de Congonhas. Nesse caso, a Passaredo recebeu uma autorização especial da Anac para operar até 20 nós (37 km/h) acima da velocidade padrão da aproximação final, desde que cumpra outros requisitos operacionais.

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