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Brasil cai em ranking que avalia regimes de Previdência entre países

Brasil ficou em 23º lugar em ranking da Previdência com 37 países  - FG Trade/Getty Images
Brasil ficou em 23º lugar em ranking da Previdência com 37 países Imagem: FG Trade/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

21/10/2019 17h14

O Brasil caiu duas posições no ranking que mede a qualidade dos sistemas de pensão no mundo; de 21º o país passou para 23º, em lista que engloba 37 países. O Índice Global de Previdência Melbourne Mercer, publicado hoje, discute como os países vêm se preparando para o envelhecimento da população. Holanda e a Dinamarca lideram a lista: os dois tiveram nota A no nível de segurança financeira proporcionado para a aposentadoria.

A lista segue com Austrália em terceiro lugar, com nota B +. Finlândia, Suécia, Noruega, Cingapura, Nova Zelândia, Canadá e Chile tiraram B e fecharam o top 10. A nota geral do Brasil apresentou queda, em relação ao ano passado, de 56,5 para 55,9. A média global é de 59,3.

O levantamento leva em consideração quase dois terços da população mundial e utilizou 40 métricas para avaliar se um sistema gera resultados financeiros melhores para os aposentados, se é sustentável e se goza da confiança da comunidade.

"Os sistemas ao redor do mundo estão enfrentando expectativas de vida sem precedentes e crescente pressão sobre os recursos públicos para apoiar a saúde e o bem-estar dos cidadãos mais velhos", afirmou David Knox, autor do relatório e sócio sênior da Mercer.

A Holanda voltou para o primeiro lugar em 2019, com mais trabalhadores favorecidos por planos de benefícios definidos, com base no salário médio ao longo da vida. O Reino Unido e os EUA tiveram nota C+, chegando em 14º e 16º lugar, respectivamente. Ambos poderiam aumentar a nota se elevassem a aposentadoria mínima para pessoas de baixa renda, de acordo com o relatório.

O Japão ficou em 31º lugar, com uma nota D que revela "grandes fraquezas e/ou omissões que precisam ser endereçadas". Uma das principais recomendações do estudo é subir a idade para aposentadoria pelo setor público, na medida que a expectativa de vida continua aumentando. A Tailândia ficou em último lugar e deveria introduzir uma poupança obrigatória mínima para aposentadoria e ampliar a ajuda aos mais pobres, segundo o relatório.

O ranking foi elaborado em um momento em que autoridades se deparam com um número maior de pessoas chegando à idade de se aposentar, vivendo mais tempo e precisando de um fluxo constante de renda para se manter. Dados da Organização das Nações Unidas mostram que quase um quinto da população mundial estará em idade de aposentadoria em 2070, comparado a uma parcela de aproximadamente 9% este ano.

"É imperativo que autoridades pensem sobre os pontos fortes e fracos de seus sistemas para garantir resultados mais robustos no longo prazo para os pensionistas do futuro."

O que foi avaliado

O Brasil apresentou baixo desempenho no item sustentabilidade, que avalia a capacidade de continuar oferecendo benefícios ao longo dos anos - o país só ficou à frente de Turquia, Espanha, Áustria e Itália

Em muitos países asiáticos, os regimes de aposentadoria melhoraram desde o ano passado, porém o relatório constatou falta de transparência e o fato de os trabalhadores não estarem economizando o suficiente para a aposentadoria em comparação com o resto das nações estudadas.

O levantamento também discutiu o chamado efeito riqueza — a tendência das pessoas a gastar mais quando seu patrimônio cresce. A Mercer concluiu que, à medida que seus ativos previdenciários aumentam, as pessoas se sentem mais ricas e propensas a contrair empréstimos.

"Não é algo ruim", escreveu Knox no relatório. "A garantia de renda futura a partir de ativos existentes em fundo de pensão permite que as famílias melhorem seus padrões de vida no presente e no futuro."

Com informações da Bloomberg

Economia