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"Não olhe para nós procurando o fim da desigualdade social", diz Guedes

Ministro da Economia negou volta da CPMF, mas defendeu imposto sobre transações  - Pedro Ladeira - 12.ago.19/Folhapress
Ministro da Economia negou volta da CPMF, mas defendeu imposto sobre transações Imagem: Pedro Ladeira - 12.ago.19/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

19/12/2019 01h42

Resumo da notícia

  • Ministro diz que governo fará programas sociais, mas não é capaz de acabar com a desigualdade social sozinho
  • Ele negou mais uma vez a volta da CPMF, mas disse que um imposto sobre transações é "inescapável"
  • Guedes afirmou que a reforma vai mudar lógica tributária e tornar mais progressiva a cobrança

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo vai implantar programas sociais fortes, mas que não é capaz, sozinho, de acabar com a desigualdade social. O ministro concedeu entrevista ao canal GloboNews, na noite de quarta-feira (18).

Não olhe para nós procurando o fim da desigualdade social. Nos dê um tempinho. Nossa tentativa é diferente. Eles [programas sociais] virão, estão sendo elaborados
Paulo Guedes, ministro da Economia

O ministro justificou seu perfil menos intervencionista na economia citando governos autoritários de outros países. "Será que vocês precisam de um ditador? Vamos trazer o Fidel [Castro, ex-presidente de Cuba morto em 2016] que ele resolve o problema da desigualdade", ironizou.

Imposto sobre transações

Guedes também voltou a negar que o governo estude adotar um imposto nos moldes da antiga CPMF. Apesar da negativa, defendeu que um imposto sobre transações, amplo, é "inescapável" como contrapartida para botar em prática uma das principais metas da equipe econômica, de reduzir impostos sobre a folha de pagamento.

Mais cedo, em entrevista coletiva a jornalistas, o ministro havia dito que o governo estudava um imposto sobre "transações digitais". Na entrevista à GloboNews, porém, quando questionado se o imposto pensado pela equipe econômica seria para transações digitais, Guedes afirmou que o tributo, na realidade, seria sobre transações, indicando sua incidência mais ampla.

O ministro não explicou, porém, no que esse imposto seria diferente da CPMF, que incidia sobre transações financeiras.

Reforma tributária

Guedes afirmou que o Brasil tributa pouco o pagamento de dividendos e muito as empresas. Segundo ele, a reforma tributária pretendida pelo governo procurará mudar essa lógica para tornar os impostos mais progressivos, cobrando mais dos mais ricos.

Questionado se a alíquota de Imposto de Renda para salários mais altos será aumentada, Guedes respondeu que o presidente Jair Bolsonaro não quer aumento de alíquota. "Procuramos uma base de incidência mais ampla. Nossa ideia não é tributar mais, é simplificar. Se achar base de incidência maior, pode até reduzir alíquota", disse.

Ainda não se sabe, porém, como serão feitas essas mudanças, já que ontem Guedes admitiu que o governo desistiu de enviar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de reforma tributária ao Congresso. O ministro afirmou que isso seria uma "tolice" porque já há duas PECs sobre o tema tramitando no Congresso.

Juros baixos e dólar mais caro

Guedes voltou a dizer que o país precisa se acostumar ao dólar mais caro, que teria vindo para ficar.

Ele afirmou que o governo está mudando o sistema econômico para um modelo com "juros baixos e câmbio um pouco mais alto", com menos intervenção do Estado na economia. Também disse que ainda é cedo para exigir mudanças mais robustas.

Reforma da Previdência

Guedes também fez um balanço do primeiro ano de mandato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na visão do ministro, 2019 foi "difícil, mas produtivo" e o governo teria conseguido caminhar em pautas importantes, como a reforma da Previdência, promulgada em novembro.

"A mídia abraçou a agenda econômica, nós vimos a população nas ruas em apoio à reforma. A Câmara cortou pontos que eram mais sensíveis, o Senado trouxe os estados e municípios para a reforma. No fim, criamos uma reforma sólida", disse.

Leilão de petróleo

Ele também citou como fatores positivos a queda da taxa básica de juros, a Selic, hoje em seu menor patamar histórico, e o desfecho dos leilões da cessão onerosa, considerado "relativamente bem-sucedido" por Guedes.

O megaleilão de cessão onerosa frustrou expectativas do governo, arrecadando só dois terços do previsto. O leilão não teve concorrência e foi dominado pela Petrobras. Das 14 empresas habilitadas, só sete compareceram.

"Estamos terminando o ano bem melhor do que começamos. Juros desabaram, os gastos públicos estão caindo. Está todo mundo abraçado nas reformas, tudo encaminhado", garantiu o ministro.

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