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'Com R$ 5 bilhões a gente aniquila o coronavírus', diz Paulo Guedes

Paulo Guedes, ministro da Economia - Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Paulo Guedes, ministro da Economia Imagem: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Do UOL, em São Paulo

13/03/2020 09h46

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que não há uma forma imediata de responder à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus e mais uma vez ressaltou a necessidade das reformas.

"Se promovermos as reformas, abriremos espaço para um ataque direto ao coronavírus. Com 3 bilhões, 4 bilhões ou 5 bilhões de reais a gente aniquila o coronavírus. Porque já existe bastante verba na saúde, o que precisaríamos seria de um extra. Mas sem espaço fiscal não dá", afirmou em entrevista à revista Veja.

"Veja bem: o que aconteceu com o Brasil no ano passado quando não tinha reforma nenhuma? Cresceu 1%. E o que aconteceu no ano anterior? Cresceu 1%. E no ano anterior? Cresceu 1%. Neste ano, com o coronavírus, vai ser ainda mais difícil crescer 1% se não fizermos as reformas", acrescentou o ministro, referindo-se ao resultado do PIB (Produto Interno Bruto).

Na avaliação dele, "o mundo está em desaceleração sincronizada e o Brasil "em plena decolagem".

"O coronavírus freia ainda mais o mundo e começa a nos ameaçar também. Acredito que temos impulsão suficiente para superar isso, pois estamos num ritmo de crescimento. Agora, o que temos de fazer? Precisamos transformar a crise em reformas. Somente elas serão capazes de trazer investimentos, crescimento e gerar empregos", analisa.

Questionado sobre como fazer para que as reformas andem mais rapidamente, Guedes respondeu que "cada um precisa fazer a sua parte".

"Pelo nosso lado, do Executivo, temos de mandar logo as reformas administrativa e tributária. Pelo lado do Congresso, eles precisam desentupir o que estão sentados em cima, que é o novo marco regulatório do saneamento, o da energia elétrica, o da infraestrutura. (...) Agora é a hora de cobrarmos uns aos outros, no bom sentido. Sei que o Congresso é reformista. Então, acelere o ritmo."

O ministro destacou que há um problema de comunicação com o Congresso. "Não estamos falando a mesma língua", disse, acrescentando que a entrada do orçamento impositivo "causou um enorme atrito, um enorme mal-estar".

"O Congresso está querendo reassumir as prerrogativas de controle dos orçamentos públicos, o que numa democracia, numa República Federativa, é desejável. Por outro lado, o sistema é presidencialista. Caso se retirem os carimbos dos recursos, desvinculem-se os fundos, surge um espaço para a ação política. Agora, se, em vez disso, um poder avançar sobre os recursos do outro poder, aí começará um desentendimento. Temos de nos unir. Precisamos proteger o Brasil."

Para Guedes, o Brasil pode crescer 2% neste ano se as reformas forem aprofundadas. "Além disso, a arrecadação subirá e sobrarão recursos para todos. Haverá espaço fiscal para o ano que vem, e o governo federal poderá repetir a execução orçamentária de 2019, que foi de quase 100 bilhões de reais. Se nós não cooperarmos e não fizermos o que cada um precisa fazer, estaremos numa situação de contingenciamento total. "

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