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Delivery não resolve crise da covid-19, diz representante de restaurantes

Segundo especialista, setor fatura cerca de R$ 400 bilhões por ano, mas receitas com entregas não chegam nem a 4% deste total - Getty Images/iStockphoto
Segundo especialista, setor fatura cerca de R$ 400 bilhões por ano, mas receitas com entregas não chegam nem a 4% deste total Imagem: Getty Images/iStockphoto

Do UOL, em São Paulo

30/03/2020 22h24Atualizada em 30/03/2020 23h17

Diretamente afetado pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus, o setor de bares e restaurantes não deve encontrar solução para a crise no delivery e precisa da ajuda do governo para evitar demissões em massa. Ao menos é o que defende o presidente da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), Cristiano Melles, que falou sobre o assunto em transmissão ao vivo da XP Investimentos.

Segundo Melles, o setor fatura cerca de R$ 400 bilhões por ano, empregando 6 milhões de pessoas, mas as receitas com os serviços de entrega não chegam nem a 4% deste total. "Está crescendo, claro. Tinha-se uma visão de que o delivery poderia ajudar. Mas, de fato, o delivery não resolve o problema de maneira nenhuma", avalia.

O presidente da ANR acredita que, neste momento de crise, a grande discussão é como manter os empregos, e a saída está nas mãos do poder público. Ele sugere que o governo pague por quatro meses os salários dos funcionários da base do setor, que ganham o piso previsto em lei (R$ 1,045).

"Não tem outra saída a não ser o governo nos apoiar", argumenta. "Não estou falando que quero pagar o executivo [da empresa] com esse dinheiro. É pagar um salário mínimo para a ponta. Nós somos o setor do primeiro emprego, onde a maioria dos jovens está empregada. Sem um apoio neste momento, dificilmente teremos os estabelecimentos reabrindo."

Comparação com os EUA

Cristiano Melles também citou o projeto do governo brasileiro de pagar um auxílio emergencial de R$ 600 por mês, durante três meses, aos trabalhadores informais. A medida foi comparada pelo presidente da ANR com o cheque de US$ 1.200 que o governo dos Estados Unidos está dando a milhões de americanos.

"Lá eles têm uma situação tão dramática quanto a nossa. Mas, diferentemente do Brasil, o cheque de US$ 1.200 está chegando na mão das pessoas. O que a gente entende é que agora, para termos uma rede mínima de proteção ao emprego, nós também precisamos que esse cheque chegue à base da pirâmide", defende.

O cheque citado por Melles faz parte de um pacote de estímulos de US$ 2 trilhões idealizado pela gestão de Donald Trump, cujo objetivo é evitar uma recessão no país. Além dos US$ 1.200, também são pagos US$ 500 adicionais por criança e é oferecida aos trabalhadores dispensados uma ampliação do seguro-desemprego para 13 semanas.

Os US$ 2 trilhões americanos não se comparam aos US$ 800 bilhões previstos pelo governo brasileiro — que precisa, segundo Melles, tomar iniciativas mais contundentes. "Eu vejo uma boa vontade. Mas agora o que surtiria efeito é esse cheque na mão das pessoas para que o dono do estabelecimento não precise fazer uma demissão em massa", conclui.

Também participaram da live Ricardo Bomeny, CEO do Bob's; Ely Mizrahi, presidente do Instituto Foodservice Brasil (IFB); e Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O debate foi mediado por Rafael Furlanetti, diretor institucional da XP, e a sócia Ana Laura Magalhães.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou a matéria, o nome do presidente da ANR é Cristiano Melles, e não Cristiano Meireles. A informação foi corrigida.