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Shoppings planejam reabertura sem cinema e com ozônio para limpeza segura

Corredor do shopping Campo Grande, no MS; autorização para reabrir saiu em 22 de abril - Divulgação
Corredor do shopping Campo Grande, no MS; autorização para reabrir saiu em 22 de abril Imagem: Divulgação

Vinícius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

13/05/2020 04h00

Um dos setores mais atingidos pela crise causada pelo coronavírus, os shoppings centers tentam reagir à queda nas vendas. Apesar de não haver uma perspectiva de data para reabertura ampla, o setor já começa a planejar como será a retomada e promete se basear em dois pontos: higienização dos locais com ozônio e prevenção para evitar aglomerações.

Com isso, a retomada promete reduzir horários de funcionamento, e, em um primeiro momento, um veto aos cinemas, eventos ou a praças de alimentação lotadas, por exemplo.

70 shoppings já voltaram

De acordo com a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), todos os 577 shoppings centers do país chegaram a ser fechados, com prejuízo de cerca de R$ 25 bilhões em vendas que não foram realizadas.

Atualmente, cerca de 70 já voltaram ao funcionamento. "O que mais nos assusta é não ter uma previsão clara de quando isso vai melhorar. Estamos discutindo agora lockdown. É uma situação que, pela falta de planejamento e organização do poder público, complica demais", disse o presidente da Abrasce, Glauco Humai.

Para que não haja problemas quando houver a reabertura, o órgão fez um protocolo que deverá ser seguido pelas administradoras dos locais. O documento prevê 23 medidas para a primeira fase de reabertura.

Limpeza contínua e sem eventos grandes

Entre as recomendações iniciais, estão a de não realizar eventos de reabertura, funcionamento em horário reduzido, utilização obrigatória de máscaras para funcionários, lojistas e clientes, aferição de temperatura e isolamento de áreas do shopping.

Em relação à limpeza, os shoppings devem aumentar a frequência de limpeza das áreas em comum, disponibilizar álcool em gel, entre outros.

shopping campo grande - Divulgação - Divulgação
Entrada do shopping Campo Grande, em MS
Imagem: Divulgação

"Com esse protocolo, os locais que já reabriram estão com 50% a 75% do fluxo normal de pessoas, e as vendas estão entre 45% e 55% do mesmo período do ano passado", disse Humai.

Limpeza com ozônio

As administradoras também investem para que a reabertura possa fazer com que o consumidor se sinta seguro em ir até o local. Segundo a BRMalls, que possui participação em 29 shoppings no Brasil, a retomada será gradual.

"Sabemos que será uma retomada lenta e gradual, e assim que liberados, queremos estar prontos para que nos nossos ativos não tenham transmissão", afirmou Renato Gaspar, diretor de operações da administradora.

"Utilizamos ozônio para eliminar fungos, bactérias e vírus, além de aumentar a periodicidade da higienização", afirmou ele. "Consigo monitorar, por Wi-Fi, manchas de calor, para ver se há alguma aglomeração maior do que deveria em determinado local", disse.

Drive-thru para ajudar nas vendas

Enquanto não há a reabertura, contudo, a administradora buscou criar maneiras de ajudar os lojistas a obter receita em meio a crise que derrubou a demanda.

"O drive-thru vem para complementar o delivery tradicional. Muitos consumidores que estão na rua gostariam de retirar os produtos. Ele garante total segurança, tanto dos consumidores quanto dos trabalhadores, e gera uma receita ao lojista", afirmou.

Metade do estacionamento

Para a Multiplan, que administra 19 locais no país, o shopping é um ambiente que dá para controlar o fluxo de pessoas e, por isso, seguro.

"Se eu tenho 5.000 vagas de estacionamento, vou disponibilizar a metade disso e ter horários diferenciados", disse Vander Giordano, vice-presidente institucional da Multiplan.

Além disso, a empresa, que também adotou o drive-thru, promete manter controles rigorosos na higienização de produtos e das pessoas.

"Teremos uma política de distanciamento muito rígida, com marcações nas áreas e uma regra para que os lojistas tenham essas questões e que todo cliente que entrar, também tenha que se higienizar", afirmou. "Os manuseios das caixas também tem que ser higienizados", disse.

Sem vallet, cinema e praça de alimentação vazia

A volta dos shoppings centers, porém, não deve ser um retorno à normalidade completa. Ponto negativo para quem está com saudade de pegar um cinema, por exemplo.

A volta dos shoppings deve ser sem cinemas, vallets, recreação para crianças, e tudo que não seja possível manter distância.

"Acreditamos na retomada com horários reduzidos, de meio-dia às 21h, não retomada de vallet, automatização das cancelas, sem colocar os dedos, e também alguns setores de varejo, que devem voltar em um segundo momento. Cinemas, não devem voltar no primeiro momento", afirmou Gaspar.

Para a Abrasce, a intenção não deve ser recuperar o tempo perdido logo. "Nosso intuito não é ter grande fluxo de pessoas no shopping, mas sim retomar a confiança do consumidor, afirmou Humai.

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