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Ministro de Bolsonaro defende aumento de gastos públicos para tocar obras

Ministro do Desenvolvimento Regional tem travado embate com Guedes, que defende austeridade - Renato Costa/Estadão Conteúdo
Ministro do Desenvolvimento Regional tem travado embate com Guedes, que defende austeridade Imagem: Renato Costa/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

07/08/2020 10h26Atualizada em 07/08/2020 13h55

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, defendeu o aumento dos gastos públicos para que obras estruturais não sejam paralisadas, mesmo em meio à crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus e com o limite de teto de gastos definido durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).

Marinho também negou que o aumento de despesas por parte do governo federal possa passar uma imagem a investidores de pouca preocupação com o controle dos gastos públicos.

"Parece que temos uma faca cravada no olho e estamos preocupados com o cisco", afirmou o ministro em entrevista ao jornal O Globo. "A gente está falando de obras hídricas e saneamento. Nós vamos ter um déficit de R$ 800 bilhões neste ano. Estamos falando de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões de acréscimo no fiscal", completou.

Marinho tem travado um embate nos bastidores com o ministro da Economia Paulo Guedes, que se preocupa com os gastos adicionais devido à pandemia, principalmente em relação aos recursos que têm sido destinados a programas de ajuda financeira como o auxílio emergencial.

As despesas públicas estão limitadas pela lei do teto de gastos, que não permite que elas cresçam em ritmo superior à inflação. Há uma ala no governo que defende a flexibilização dessa regra fiscal, a contragosto de Guedes.

"Temos uma relação respeitosa. É o ministro da Economia que tem protagonismo, e as decisões finais nessa área são dele. Agora, temos opiniões diferentes. É uma demonstração de que temos um ambiente vivo, saudável, porque o debate tem que acontecer, não podemos interditar", comentou Marinho, que defende a retomada de obras estruturantes.

"Não há maior desrespeito ao cidadão que paga seus impostos do que esse enorme cemitério de obras inacabadas que estão espalhadas pelo país em função dos equívocos que permearam administrações passadas. O que tenho feito aqui é racionalizar o nosso trabalho", disse o ministro.

O ministro, que já foi responsável por articular a reforma da previdência antes de assumir a pasta, admitiu que a retomada das obras foi um pedido do próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Só posso gastar o que está no meu orçamento. Serei eficiente se executar o meu orçamento. O que interessa para a sociedade é que as obras que estão paralisadas sejam retomadas. Estou retomando as obras paralisadas por orientação do presidente e executando o meu orçamento", afirmou Marinho.

Foco no Nordeste

O ministro ainda reconheceu outra missão dada por Bolsonaro, a de focar seu trabalho na região Nordeste, tradicionalmente conhecida por ser um reduto de grande votação de candidatos petistas. No final de junho, Marinho estava ao lado do presidente na inauguração de um trecho do eixo norte da transposição do Rio São Francisco, no Ceará.

"Recebi uma missão do presidente de ter um olhar todo especial para o Nordeste. E a nossa luta tem sido no que chamamos de segurança hídrica, que é uma espécie de guarda-chuva. Vem desde a questão do saneamento, tratamento de água, esgoto e resíduos sólidos até adutoras que permitam que população possa ser abastecida de água potável, barragens, cisternas, poços de dessalinização", explicou Marinho.

"O Nordeste nunca foi propriedade de um partido político, é uma região formada por pessoas que, na sua maioria, têm dificuldades financeiras. Essas pessoas querem governos realizadores. Historicamente, o Nordeste tem sido um local onde as pessoas têm se preocupado pouco com o desenvolvimento regional e muito com a questão dos votos", afirmou o ministro.

Para Marinho, a atenção de Bolsonaro à região já tem surtido efeito entre a população. "Se você fizer qualquer pesquisa, qualquer consulta, vai perceber que houve uma mudança muito grande e ânimo, de lideranças da população do Nordeste em relação ao presidente, desde a sua eleição", concluiu.