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Bolsonaro exalta livre mercado e diz confiar '99,9%' em Guedes

"Deixo 0,1% (sic) porque quando quero mudar alguma coisinha, falo com ele", explicou Bolsonaro - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
"Deixo 0,1% (sic) porque quando quero mudar alguma coisinha, falo com ele", explicou Bolsonaro Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

01/10/2020 21h48Atualizada em 01/10/2020 22h03

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a negar hoje a possibilidade de tabelar preços para conter a alta do arroz, reforçando que a política de seu governo é a do livre mercado, como defende o ministro da Economia, Paulo Guedes — em quem Bolsonaro disse confiar "99,9%".

"Não vai tabelar [os preços]. Já sabemos que acontece com tabelamento, olha a Venezuela. (...) Nossa política é de livre mercado, [é] seguir a linha do Paulo Guedes. Paulo Guedes continua 99,9% de confiança comigo. Deixo 0,1% (sic) porque quando quero mudar alguma coisinha, falo com ele", explicou o presidente durante sua live semanal.

Segundo Bolsonaro, Guedes "é o cara da política econômica, e a palavra final é dele". Apesar do afago, o ministro da Economia tem tido mais reveses que vitórias na condução de sua política econômica liberal, principalmente após a aproximação do governo com o centrão.

A derrota mais recente aconteceu no âmbito do Renda Brasil, programa idealizado pela equipe econômica para substituir o Bolsa Família. Bolsonaro rejeitou a ideia de congelar aposentadorias e acabar com o BPC (Benefício de Prestação Continuada), chegando a dizer que "até 2022, no meu governo, está proibido falar a palavra (sic) Renda Brasil".

O Renda Brasil virou Renda Cidadã, cuja proposta de financiamento também foi muito criticada porque depende de recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e de precatórios (dívidas do governo já determinadas pela Justiça). Ontem, porém, Guedes disse que a ideia não vingaria.

"Super-safra" de arroz

O presidente também reconheceu ter faltado arroz à população — "não tanto assim" —, mas culpou a corrida para os supermercados pela alta dos preços do produto. Ele ainda comentou sobre a decisão de zerar a taxa de importação de 400 mil toneladas de arroz e se mostrou otimista quanto ao reabastecimento das prateleiras.

"Vai vir uma 'super-safra' aí. A perspectiva nossa é que, no final de dezembro ou começo de janeiro, tenha muito arroz no mercado, aí o preço volta à normalidade. Alguns perguntam sobre a reserva estratégica de alimentos, tem um nome específico isso aí... o estoque regulador. Nós temos, mas a procura foi demais", completou Bolsonaro.

*Com Reuters