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Anitta no Nubank: qual papel os famosos desempenham nas empresas?

Maria Luiza Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/06/2021 18h40

Nesta segunda-feira (21), o Nubank anunciou Anitta como nova integrante do conselho de administração da empresa. A cantora vai participar de reuniões trimestrais com os outros seis conselheiros e a diretoria do Nubank para discutir decisões estratégicas sobre o futuro do banco digital.

A cantora tem a função de ajudar a empresa a aprimorar seus serviços e produtos. Segundo a fintech, aliar-se à maior e mais influente artista do Brasil significa contar com sua expertise em construção de marcas, já que a cantora é uma empreendedora bem-sucedida que usou sua visão estratégica para expandir a carreira globalmente.

"Anitta tem profundo conhecimento do comportamento dos consumidores nesses mercados que tem explorado e tem muita experiência em estratégias de marketing vencedoras. Essas competências foram chave para a convidarmos para o Conselho. Nenhum outro conselheiro possui essa experiência", diz David Vélez, CEO e fundador da empresa, em nota.

Além de Anitta no Nubank, outros famosos também ganharam espaço em empresas, como Xuxa, que é sócia da Espaçolaser, Sabrina Sato com a OdontoSpecial, Marina Ruy Barbosa na Arezzo e Ronaldo, na Ronaldo Academy. Mas por que as empresas estão escolhendo celebridades como sócios?

Identificação com histórias reais

De acordo com Matheus Jacob, economista e fundador da NosConte, este movimento se dá pela identificação do público com histórias reais.

"O benefício de se associar com um famoso é trazer uma audiência que a empresa não conseguiria com sua própria narrativa. Algumas marcas já nascem com uma 'pessoa forte' por trás, como a Magazine Luiza com a Luiza Trajano e a Apple com o Steve Jobs, mas outras marcas que não tenham essa persona tão forte, ou querem ampliar o seu repertório de personas, vão se aproximar de pessoas influenciadoras para isso", afirma.

Como no caso do Nubank e de outras empresas, que deram um passo maior e convidaram celebridades para desempenhar funções administrativas e não apenas como garotos-propaganda, o envolvimento da marca com o famoso é ainda mais forte.

"No caso de propagandas, é mais explícito para o consumidor que a relação é puramente comercial. É uma visão do produto. Quando falamos de sócios e embaixadores, a relação para o cliente aparece como uma relação de história: os valores e princípios de um ficam mais atrelados aos valores e princípios do outro. Assim, os consumidores conseguem ter uma visão da liderança, do produto e das relações profissionais da empresa", diz.

Os riscos dessa estratégia

Mas e os riscos dessa associação? Segundo o professor da FGV e diretor do Canal Vertical, Roberto Kanter, o que esse famoso fizer na sua vida pessoal pode impactar a imagem da marca.

"O ruído na comunicação sempre pode acontecer e quanto maior a participação desse famoso [na marca], maior é o risco que a marca corre de ter a imagem da empresa atrelada às polêmicas envolvendo essa pessoa", afirma.

Kanter relembra o famoso caso da marca de joias H. Stern que cancelou a campanha publicitária com Kate Moss, após a modelo sair na capa do jornal Daily Mirror sendo flagrada usando drogas, em 2005.

"Existem riscos de trabalhar a imagem de um famoso e a conduta dele ser diferente da que é vendida pela marca, é a relação risco X retorno. Em compensação, se a conduta do ícone seguir os valores da empresa, maior é a probabilidade de transferência dos aspectos positivos do famoso para a marca", afirma.