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Dois diretores do BC que teriam direito a novo mandato devem deixar cargos

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, João Manoel Pinho de Mello, e o diretor de Política Econômica, Fabio Kanczuk, não devem integrar a diretoria colegiada a partir de janeiro de 2022. - Adriano Machado/Reuters
O diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, João Manoel Pinho de Mello, e o diretor de Política Econômica, Fabio Kanczuk, não devem integrar a diretoria colegiada a partir de janeiro de 2022. Imagem: Adriano Machado/Reuters

Antonio Temóteo

Do UOL, em Brasília

06/07/2021 04h00

Dois diretores do BC (Banco Central) devem deixar os cargos que ocupam quando terminarem os seus mandatos, em 31 de dezembro de 2021, sem aceitar a prorrogação de mais quatro anos a que teriam direito. Os dois são o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, João Manoel Pinho de Mello, e o diretor de Política Econômica, Fabio Kanczuk. O BC tem oito diretores e mais o presidente.

A saída de dois diretores é importante porque eles são membros do Copom (Comitê de Política Monetária), que define a taxa básica de juros. Além disso, os dois são responsáveis por gerir áreas importantes dentro do banco. Entre elas, está o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos, e o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), uma das principais publicações do BC sobre a economia brasileira.

Com a aprovação da lei que define a autonomia do Banco Central, o presidente e os diretores do BC passaram a ter mandatos fixos de quatro anos, não coincidentes com o do presidente da República. Além disso, os diretores do BC podem ser reconduzidos uma vez, também por decisão do presidente da República. Os dois diretores que estão saindo poderiam ficar mais um mandato, mas o UOL apurou que vão pedir para sair.

Atuou na criação do Pix

Pinho de Mello não deve ser reconduzido ao cargo por decisão pessoal. Mesmo trabalhando em São Paulo durante a pandemia, cidade em que tem residência fixa e família, ele tem confidenciado aos mais próximos que sua contribuição ao governo está perto do fim.

São cinco anos consecutivos no governo, entre o extinto Ministério da Fazenda e o BC. No governo Michel Temer, no Ministério da Fazenda, ele foi chefe da assessoria especial para reformas microeconômicas, secretário de Produtividade e Promoção da Concorrência e secretário de Política Econômica.

No BC, ele ocupa a mesma diretoria desde fevereiro de 2019. Pinho de Mello é um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento e operação do Pix, o sistema de pagamentos instantâneos que começou funcionar para o público em novembro do ano passado.

Com o sucesso do Pix, o diretor tem dito que seu sucessor poderá tocar a agenda de inovações do sistema sem qualquer dificuldade. Outro projeto do BC com envolvimento direto de Pinho de Mello é o que cria normas para que clientes de diferentes bancos e fintechs possam compartilhar as redes de caixa eletrônico.

Problemas de saúde na família

No caso de Fabio Kanczuk, ele trabalha de Boston, nos Estados Unidos, conforme mostrou reportagem do UOL. Segundo fontes, ele enfrenta um problema de saúde na família, o que o obriga a morar nos EUA e, por isso, deve abrir mão da recondução ao cargo.

Cabe a ele, uma interlocução próxima com economistas, acadêmicos e analistas de mercado para avaliar o cenário macroeconômico brasileiro.

O diretor também é responsável por elaborar o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que traz projeções e sinalizações importantes do BC.

Procurado, o BC disse que não comentaria o assunto.