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'Fadinha' está perto de bater Tony Hawk nas redes; quanto ela pode lucrar?

Rayssa Leal virou um fenômeno nas redes sociais após competir nas Olimpíadas - LUCY NICHOLSON/REUTERS
Rayssa Leal virou um fenômeno nas redes sociais após competir nas Olimpíadas Imagem: LUCY NICHOLSON/REUTERS

Matheus Adami

Colaboração para UOL

08/08/2021 04h00

Rayssa Leal, a "fadinha" do skate, está com tudo. Medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio na modalidade street, ela é, antes de tudo, uma menina em idade escolar. Mas ela está longe de ser uma garota de 13 anos comum: a maranhense de Imperatriz se tornou um fenômeno nas redes sociais, ainda mais durante as Olimpíadas.

Rayssa, hoje, tem cerca de 6,6 milhões de seguidores no Instagram. Para se ter uma ideia do que este número representa, ela está a apenas 300 mil de superar Tony Hawk, o lendário skatista considerado um dos maiores da história e que tem uma franquia de games com o seu nome. Não é pouca coisa.

O fenômeno também é visto em outras redes. No Twitter, a conta, que ganhou o selo azul de verificação durante os Jogos, após a conquista da prata, soma mais de 424 mil seguidores. No TikTok, Rayssa se comunica com uma base de 3,5 milhões de fãs. A fan page da skatista no Facebook soma 251 mil seguidores. Por fim, o canal de YouTube da atleta conta com 90,1 mil inscritos.

Com tamanho poder de fogo nas redes sociais, somado ao momento, é natural que Rayssa se torne um prato cheio para marcas e campanhas publicitárias, certo? Não necessariamente. Mais do que volume, o momento e o histórico do influenciador em questão têm muito peso no mercado publicitário.

"Não existe cálculo de pagamento de publicidade por número de seguidores. Isso não quer dizer que haja uma efetividade de pessoas alcançadas com sucesso. O que sempre prevalecerá é o engajamento legítimo", analisa Thays Almendra, CEO da Digital Social.

Na avaliação da especialista, um valor razoável para uma campanha com Rayssa seria algo em torno de R$ 100 mil por um post no Instagram e três stories. O valor seria menor até do que os R$ 150 mil de prêmio pago pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) à skatista pela medalha de prata conquistada nos Jogos.

"Seria cruel classificar a Rayssa somente por quantos seguidores ela tem, sendo que lutou e levou o Brasil inteiro ao segundo lugar do pódio nas Olimpíadas para o skate feminino. O valor da Rayssa é imensurável neste momento. E cada influenciador é um caso específico", diz.

A medalhista olímpica, atualmente, já conta com patrocinadores pesos-pesados: Nike, Monster (marca de bebidas energéticas), MRV e Banco do Brasil.

Vale lembrar que Rayssa viralizou nas redes sociais em 2015, quando o próprio Tony Hawk publicou um vídeo em que a brasileira andava de skate com uma fantasia de fada. À época, a futura medalhista olímpica tinha apenas 7 anos.

Adolescente pode lucrar no Instagram?

A situação de Rayssa Leal tem uma diferença fundamental em comparação com Juliette Freire, campeã do Big Brother Brasil 2021 e outro fenômeno das redes sociais: o fator idade. A "Fadinha" é uma adolescente de 13 anos e isso, no mercado publicitário, faz uma diferença e tanto.

O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), instituído pela Lei nº 8.069/1990 é taxativo ao definir os limites de idade: "Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade."

A legislação prevê algumas restrições à participação de crianças e adolescentes em "espetáculos públicos e ensaios", além de "certames de beleza", conforme exposto em trecho do artigo 149. Além disso, existe o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), órgão que tem diretrizes seguidas pelo mercado publicitário e que também apresenta limitações aos menores de idade.

"Crianças e adolescentes não deverão figurar como modelos publicitários em anúncio que promova o consumo de quaisquer bens e serviços incompatíveis com sua condição, tais como armas de fogo, bebidas alcoólicas, cigarros, fogos de artifício e loterias, e todos os demais igualmente afetados por restrição legal", diz o parágrafo 1º do artigo 37 do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.

Via assessoria de imprensa, o órgão informou que cabe ao influenciador seguir estas regras.

"O influenciador pode ser uma pessoa sem tanta compreensão da publicidade, mas, à medida que tem sucesso, percebe que o maior patrimônio é sua credibilidade. Se ele mente ou anuncia coisas enganosas, no fim das contas vai afetar a credibilidade dele. Hoje há influenciadores que só fazem publicidade dentro das regras do Conar. Provavelmente a Rayssa, que é uma pessoa visivelmente inteligente pela idade e bem orientada pelos pais, rapidamente vai perceber isso", informou o órgão.

"Fadinha do Skate" é marca registrada e está em disputa

Rayssa, atualmente, está em uma disputa jurídica envolvendo o registro da marca "Fadinha do Skate". De um lado está a RRS Odontologia LTDA; do outro a família da atleta e a advogada Flavia Penido.

Em setembro de 2019, a empresa de odontologia solicitou ao Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) registro da marca "Fadinha do Skate". O registro foi concedido à empresa de Imperatriz, mesma cidade de Rayssa, em abril de 2020. Em agosto de 2020, Rayssa contestou o registro no Inpi e iniciou a disputa jurídica sobre a propriedade do nome.

A empresa afirma que o registro se encontra em processo de transferência para a família de Rayssa.

O Inpi, por sua vez, ainda não divulgou o pedido de transferência da marca.

Em 26 de julho deste ano, data em que a skatista conquistou a medalha de prata em Tóquio, a advogada Flavio Penido registrou a marca "Fadinha" no Inpi. Ela alega ter autorização do pai da atleta e que irá repassar o registro para a família.