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'Corremos risco de apagão, o que é gravíssimo', diz economista

Elena Landau, ex-diretora do BNDES, em foto de 2018 - Reinaldo Canato/Folhapress
Elena Landau, ex-diretora do BNDES, em foto de 2018 Imagem: Reinaldo Canato/Folhapress

Colaboração para o UOL

02/09/2021 10h54

Ex-presidente do Conselho de Administração da Eletrobras e ex-diretora de privatizações do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), a economista Elena Landau acredita que as políticas para barrar a crise elétrica, consequência também da baixa hídrica, vieram tarde demais. Ela teme por palavras que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) praticamente proibiu, como apagão.

"Corremos risco de apagão mesmo, o que é gravíssimo. Estamos com estresse em todo o sistema elétrico, trabalhando no limite. Em 2001, houve uma racionalidade na forma de administrar a crise hídrica, uma redução voluntária, bônus, agora não", falou em entrevista ao jornal O Globo.

Para Landau, o tamanho da crise elétrica demonstra atraso do governo federal e pouca vontade de ouvir os alertas que vinham sendo feitos. "Se tivesse gerenciamento adequado, em vez de fazer um discurso apelando para sociedade parar de tomar banho dois meses atrás, deveria ter implantado as políticas de demanda", criticou.

"Pagar mais pela energia por questão climática, tudo bem, mas por incompetência, não", afirmou. Na análise dela, há muito medo por parte do governo de falar de controle de energia, o que deixa o país à espera de um milagre que não virá.

"Pelo contrário: estamos cada vez piores na dimensão hidrológica. Essa situação vai deixar rastro até no ano que vem, porque o impacto sobre as tarifas de energia é alto", falou.

Política

"Quem vai investir num país onde o presidente ameaça dar um golpe contra a democracia? Politicamente, talvez seja o pior momento desde a redemocratização", disse Landau.

O cenário econômico também é reflexo da confusão política "gerada e alimentada" por Bolsonaro. "Esse cenário pessimista se junta a uma inflação que vai chegando a dois dígitos, que atinge especialmente a baixa renda, porque pega feijão, energia, alimentos e reduz o poder de compra", explicou.

Nessa situação, é "natural" que as previsões do PIB (Produto Interno Bruto) de 2022 sejam revistas. O ambiente de incerteza criado pelo governo produz consequências também no valor internacional. "Os analistas consideram que o câmbio está mais desvalorizado do que estaria em uma circunstância de normalidade institucional", falou a economista.

Landau é "completamente contra" grandes reformas sendo feitas agora por conta da fragilidade do governo e falta de controle sobre as privatizações importantes, como da Eletrobras.

E o cenário para o ano que vem, com inflação de 9%, podendo chegar a dois dígitos, cria uma coisa no imaginário pró-indexação, para demanda por aumento salarial".

Precatórios

Na análise da economista, a proposta dos precatórios foi grave e mostrou como o ministro da Economia, Paulo Guedes, "está completamente alheio à realidade". Para Landau, houve um tom antimercado adotado.

Além disso, ela reconheceu um discurso do governo atual, que é liberal, semelhante ao anterior, que não avançava tanto nesse tipo de proposta. "Dizendo que não estavam preparados para isso, que os bancos são os culpados, são fundos que compraram precatórios, que estão na mão de malvados", criticou.

Landau afirmou que a realidade está cada vez mais dura e, enquanto isso, Guedes fala que o país está decolando, "que inflação de 8% não é problema, está no jogo, que energia cara não tem problema, que, quanto aos precatórios, diz 'devo não nego'. Quando um ministro da Economia diz isso, é muito grave", reforçou.

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