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Quanto ganham Daniel, Yeltsin e outros atletas paralímpicos por medalha?

Daniel Dias, maior atleta paralímpico do Brasil, levou três medalhas de bronze na capital japonesa - Alex Davidson/Getty Images
Daniel Dias, maior atleta paralímpico do Brasil, levou três medalhas de bronze na capital japonesa Imagem: Alex Davidson/Getty Images

Nivaldo Souza

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/09/2021 11h41

O corredor Yeltsin Jacques, 29, precisou de 3min57s60 para quebrar o recorde mundial nos 1.500 metros T11, classe para atletas cegos, durante os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. Foi conquista histórica: a 100ª medalha de ouro do Brasil em Paralimpíadas. Ele já havia conquistado ouro nos 5.000 metros T11 na competição realizada no Japão.

O atleta de Campo Grande (MS) receberá uma bonificação de R$ 160 mil por medalha dourada, conforme recompensa criada pelo CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro).

Já o maior atleta paralímpico do Brasil, Daniel Dias, levou três medalhas de bronze na capital japonesa - com isso, chegou a 27 medalhas paralímpicas. Ele recebeu R$ 32 mil por premiação pelas provas de natação.

O bônus por desempenho é parte da estratégia da entidade para colocar o país entre as dez maiores potências paralímpicas. A premiação em dinheiro é similar à concedida pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), mas com valores menores.

Veja a seguir quanto Yeltsin, Daniel e outros atletas receberão ao final dos Jogos de Tóquio e a origem dos recursos.

Quanto os atletas ganham por medalha?

O CPB definiu que atletas de modalidades individuais terão direito a uma premiação maior. Serão pagos a cada medalhista paralímpico, de acordo com a insígnia obtida:

  • Ouro: R$ 160 mil
  • Prata: R$ 64 mil
  • Bronze: R$ 32 mil

Os atletas-guia também recebem bônus?

Em muitas modalidades paralímpicas os atletas recebem um auxílio de atletas-guia, calheiros (ajudante no jogo de bocha), pilotos ou timoneiros. Foi esse trabalho de equipe que ajudou Yeltsin nas conquistas. Ele contou com dois atletas-guia: Carlos Antônio dos Santos, o Bira, e Laurindo Nunes Neto.

Cada auxiliar ganhará 20% do valor pago como bônus por medalha. Caso algum deles suba em mais de um pódio, será concedido pelo CPB um adicional de 10% a cada medalha.

É o caso do Bira, que guiou Yeltsin nas duas disputas vitoriosas - os guias se revezam na modalidade de 5.000m T11, por isso, Laurindo concluiu a prova com o atleta sul-mato-grossense.

Qual a bonificação nos esportes coletivos?

A autoridade paralímpica definiu que pagará uma recompensa por atleta envolvido em modalidades coletivas, revezamentos e pares (bocha). Os valores serão:

  • Ouro: R$ 80 mil
  • Prata: R$ 32 mil
  • Bronze: R$ 16 mil

A premiação é diferente da oferecida pelo COB, que definiu valores por modalidade e não por atleta. A medalha de ouro obtida por Daniel Alves e companhia pelo bicampeonato de futebol das Olimpíadas, por exemplo, rendeu R$ 750 mil aos 22 jogadores. Ou seja, cada um levou R$ 34 mil.

De onde vem o dinheiro do CPB?

A principal fonte de recurso do Comitê Paralímpico é a mesma do COB: a 10.264/2001, conhecida como Lei Agnelo-Piva. A legislação define que 2% da arrecadação com as loterias federais seja direcionada para o CPB e o COB. O repasse é feito pela Caixa Econômica.

No balanço financeiro de 2020, o CPB informa ter obtido receita líquida de pouco mais de R$ 161,1 milhões oriundos das loterias. O comitê recebeu mais R$ 31,9 milhões de patrocinadores.

No total, o CPB obteve receita líquida de cerca de R$ 194,3 milhões ao longo de 2020. A entidade registrou menos despesas do que receita, encerrando o ano passado com superávit líquido de R$ 117,7 milhões. O montante foi 70% superior ao resultado superavitário de R$ 69,1 milhões em 2019.

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