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Montadoras temem parar produção por falta de energia: 'preocupa bastante'

Aumento do custo de energia se soma à falta de peças e pressiona preços de veículos - Rodrigo Paiva/Folhapress
Aumento do custo de energia se soma à falta de peças e pressiona preços de veículos Imagem: Rodrigo Paiva/Folhapress

Giulia Fontes

Do UOL, em São Paulo

08/09/2021 16h00

O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Carlos Moraes, afirmou nesta quarta-feira (8) que as montadoras veem com preocupação os impactos da falta de chuva na geração de energia. O país vive a pior seca em 90 anos, o que vem baixando o nível das hidrelétricas e forçando o acionamento de termelétricas, que geram energia mais cara. Segundo especialistas, o risco de apagão não está descartado, e há necessidade de racionamento.

Já é algo que preocupa, porque a energia mais cara aumenta o custo de produção em toda a cadeia. É mais um elemento de pressão nos preços. Mas o pior cenário possível é haver parada de produção por falta de energia. Isso preocupa bastante.
Luiz Carlos Moraes

De acordo com Moraes, as montadoras vêm acompanhando o cenário semanalmente, com informações fornecidas pelo Ministério de Minas e Energia e também pelas comercializadoras de energia.

Estamos torcendo para conseguir passar novembro [sem racionamento], e para que volte a ter chuva. Mas sabemos que o desafio não será só neste ano. Vamos ter que continuar monitorando em 2022.
Luiz Carlos Moraes

Programa para redução do consumo

Em agosto, na tentativa de estimular a economia de energia, o governo federal lançou um programa voluntário de redução de consumo para indústrias. De acordo com Moraes, a Anfavea ainda não tem um levantamento de quantas montadoras vão aderir à iniciativa, já que a decisão depende de cada planta.

As empresas estão analisando [a possibilidade], mas é uma decisão individual, fábrica a fábrica. Provavelmente muitas vão aderir, já que é uma oportunidade para que as empresas contribuam [com a sociedade] e também tenham uma redução de custos.
Luiz Carlos Moraes

Programas voluntários e conta mais cara

Além do programa para redução de consumo na indústria, o governo federal também lançou uma iniciativa para estimular os consumidores residenciais a gastarem menos. Os dois programas, porém, são voluntários. Por isso, segundo especialistas, podem ser insuficientes diante da situação crítica enfrentada pelo setor elétrico.

A falta de água também encareceu a energia, já que termelétricas precisaram ser acionadas para suprir a demanda. No caso dos consumidores residenciais, o aumento de preço está sendo repassado pelas bandeiras tarifárias. Desde o começo de setembro está em vigor a bandeira de escassez hídrica, que adiciona R$ 14,20 à conta por cada 100 kWh consumidos.

Falta de peças

O aumento dos gastos com energia elétrica se junta a outros desafios enfrentados pela indústria automotiva. Com a pandemia, estão faltando peças para as montadoras, em especial componentes eletrônicos.

Segundo balanço divulgado pela Anfavea nesta quarta, houve paralisações totais ou parciais de 11 fábricas em agosto por causa da falta de peças. No mês passado, a produção de veículos foi de 164 mil unidades - uma queda de 21,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado é o pior para um mês de agosto desde 2003.

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