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'Houve uma mudança abrupta', explica Aro sobre adiamento do Auxílio Brasil

Marcelo Aro - Reprodução/CNN Brasil
Marcelo Aro Imagem: Reprodução/CNN Brasil

Do UOL, em São Paulo

19/10/2021 17h54

O deputado federal Marcelo Aro (PP-MG), relator da Medida Provisória do Auxílio Brasil, programa social substituto do Bolsa Família, criticou hoje o governo por "mudança abrupta" e disse ter acompanhado a decisão de última hora por meio da imprensa.

O governo de Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu que, além dos R$ 300 que tinha combinado para turbinar o Bolsa Família, quer um formato que ainda beneficie os chamados "invisíveis", que não atenderiam aos critérios do programa, com um ticket médio de R$ 100, ampliando o benefício para a faixa dos R$ 400. A notícia, no entanto, repercutiu negativamente no mercado financeiro, com o dólar comercial disparando e a Bolsa tombando mais de 3%. Com isso, o evento de lançamento do Auxílio Brasil foi cancelado de última hora.

Eu já adiantei, conversei com alguns de vocês, é que de fato houve uma mudança abrupta de ontem para hoje, que fugiu do nosso controle. Estávamos caminhando no relatório de uma forma e, com essa mudança, ficou tudo em aberto. Marcelo Aro, visivelmente contrariado, em conversa com jornalistas em Brasília

"Foi uma decisão... uma mudança de postura, onde eles deixariam o orçamento do jeito que está, do Bolsa Família. Ou seja, de R$ 34,7 bi. Isso seria um programa permanente. O restante seriam dois programas temporários. Então, com vigência de doze, quatorze meses. Até o fim do ano que vem. Então podemos chegar até R$ 85 bilhões o valor total", prosseguiu.

Em hora nenhuma o Ministério da Economia me passou números. Eu vinha cobrando do ministério um posicionamento, números. Eles não me passaram. E aí tive a notícia desses dois auxílios temporários que, na minha opinião, não é o caminho. Nós precisamos de uma política estruturante, de estado. Eu não acredito que benefícios temporários sejam a solução para essa camada mais vulnerável, mais necessitada do país. A gente quer sim um volume mais vultuoso, que o beneficiário receba mais. Mas de maneira estruturante. Marcelo Aro

Segundo a colunista Carla Araújo, do UOL, o improviso e a pressa do presidente Bolsonaro em resolver a solução em torno dos benefícios sociais representa uma derrota para o ministro da Economia, Paulo Guedes, que era contra a continuidade do auxílio. Guedes também queria um valor médio do Auxílio Brasil menor do que R$ 400, para manter os gastos do governo dentro do teto.

O anúncio de hoje seria, portanto, uma vitória da ala política do governo.

O time de desafetos de Guedes entre os pares da Esplanada cresceu nos últimos meses. Ao lado de Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), que sempre foi antagonista de Guedes na conduta dos gastos públicos, agora estão outros dois ministros políticos Onyx Lorenzoni (Trabalho) e João Roma (Cidadania).

Entre a ala política do governo, o Auxílio Brasil é visto como uma ferramenta importante para elevar a popularidade de Bolsonaro entre a população mais pobre, visando à reeleição em 2022.

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