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Guedes usa Brasil para minimizar trabalho no Chile: 'Ditadura por ditadura'

"Era [João] Figueiredo contra Pinochet, não estava nem aí. Sou um animal de politização tardia", justificou - Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
"Era [João] Figueiredo contra Pinochet, não estava nem aí. Sou um animal de politização tardia", justificou Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

18/11/2021 22h15Atualizada em 18/11/2021 22h40

O ministro da Economia, Paulo Guedes, minimizou hoje o trabalho realizado na Universidade do Chile, na década de 1980, durante a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), atribuindo a escolha de sair do Brasil ao salário maior oferecido no exterior, além do fato de que ambos os países viviam regimes ditatoriais — e ele, segundo disse, "não estava nem aí".

"Eu dava uma aulinha na GV [Fundação Getúlio Vargas], uma aulinha na PUC [Pontifícia Universidade Católica], uma aulinha não sei onde. Recebia, sei lá, US$ 800 em cada lugar, então dava US$ 2.400 por mês. Aí recebo uma proposta dos chilenos para receber R$ 10 mil por mês para ficar, em tempo integral, em uma faculdade do Chile. Aí falei: 'Vou embora'", explicou Guedes durante evento do Ministério da Economia.

"Hoje eles falam: 'Ah, trabalhou para o Pinochet'. Eu nunca vi Pinochet na vida, não sei o que ele fez, o que ele ia fazer. Eu estava é dando aula de economia em tempo integral", completou.

Ditadura por ditadura... Era [João] Figueiredo [último presidente da ditadura militar brasileira] contra Pinochet, eu não estava nem aí. Sou um animal de politização tardia. Até hoje não sei politicamente onde é que eu estou. Eu gosto mesmo é de economia, [sou] apaixonado por economia.
Paulo Guedes, sobre trabalho no Chile

Estima-se que, em 17 anos, o regime de Augusto Pinochet tenha deixado mais de 3 mil mortos ou desaparecidos, segundo dados oficiais. Ao todo, o número de vítimas — incluindo presos políticos, torturados e executados — passa de 40 mil.

A ditadura militar brasileira, a título de comparação, deixou 434 mortos ou desaparecidos em 21 anos (1964-1985), de acordo com levantamento da CNV (Comissão Nacional da Verdade). Além disso, a ONG Human Rights Watch calcula que 20 mil pessoas tenham sido torturadas durante o período.

Auxílio Brasil e pressão política

Durante o evento, Guedes também voltou a afirmar que a proposta de ampliar o Bolsa Família, transformado em Auxílio Brasil, a R$ 400 ocorreu por pressão política, citando que a equipe econômica queria aumentar o benefício a R$ 300, dentro do teto, mas foi impedida pelo volume de pagamentos de precatórios em 2022 e pelo "imperativo político" da renda básica.

Ideias de aperfeiçoamento do Bolsa Família perderam espaço para renda básica. O presidente disse que nenhuma família poderia receber menos de R$ 400. Todos aqueles critérios de focalização foram batidos pelo apelo fortíssimo da renda básica. Ministro Paulo Guedes

Guedes repetiu que a equipe econômica defendia originalmente um Bolsa Família de R$ 300, dentro do teto de gastos. "Mas precatórios causaram primeira turbulência. Depois, a pressão política pelo conceito de renda básica, em que nenhuma família poderia receber menos de R$ 400 foi um imperativo político", concluiu.

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