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Agronegócio

Novo contrato é negociado nas Bolsas de SP e Chicago e usa soja brasileira

Viviane Taguchi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/11/2021 04h00

A Bolsa de Valores (B3) lançou na quinta-feira (18) o contrato Futuro de Soja Brasil. Ele começará a ser negociado em 29 de novembro na B3 e na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT), nos EUA. O produto foi desenvolvido em parceria com a CBOT e o CME Group (Chicago Mercantile Exchange, uma Bolsa de Mercadorias de Chicago). O contrato tem como foco ser um mecanismo de proteção mais seguro, baseado no preço da soja brasileira e negociado em duas Bolsas que são líderes mundiais.

Conforme a B3, o novo contrato terá como referência o preço da soja no Porto de Santos (SP), que é definido pelo mercado interno, podendo ter descontos ou acréscimos, e difere do preço da cotação do grão, determinado em Chicago. Mas os pagamentos da negociação serão calculadas em dólares por tonelada e terão como referência o índice S&P Global Parts (plataforma que ajuda o mercado a definir preços adequados para as commodities).

"Até agora, para fazer hedge dos grãos negociados [operação que minimiza os riscos com variação de preços], era preciso recorrer à Bolsa de Chicago. A correção entre os preços da soja brasileira e da americana sempre foi grande, mas nos últimos anos foram registradas diferenças muito significativas, o que dificultou as negociações para os produtores de soja brasileiros", disse, em nota, o superintendente de Commodities da B3, Louis Gourbin. "O agronegócio brasileiro é uma referência mundial, e os nossos produtos precisam refletir isso".

De acordo com o executivo, o novo derivativo é uma ferramenta de gestão de risco de preço Brasil, e os participantes precisam apenas ter uma conta em uma corretora para negociá-lo.

O comunicado da B3 ainda destacou a participação do Brasil no comércio internacional de soja: "O Brasil é o maior produtor e exportador de soja do mundo, com 134 milhões de toneladas de grãos colhidas em 2021, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), tornando o país um expressivo contribuinte para o abastecimento do mercado internacional de proteína vegetal. Apesar dessa relevância, muitas empresas nacionais que atuam nesse segmento encontram dificuldade para acessar instrumentos de proteção financeira adequados (hedge)".

Listagem nas duas Bolsas

O acordo para criação do produto foi firmado entre as duas Bolsas em 2020, e o lançamento pela B3 aconteceu após a aprovação dos órgãos reguladores brasileiros, obtida no final de agosto.

Conforme a B3, ele é parte da cooperação técnica mantida desde 2007 pela B3 e o CME Group, que prevê o desenvolvimento de serviços de tecnologia e contratos futuros de soja negociados nas duas Bolsas, conectando os participantes globais desse mercado ao setor agrícola brasileiro.

"Essa conexão é importante, pois traz o mundo para o Brasil e o Brasil para o mundo. O mercado de soja é internacional, mas possui dinâmicas de produção e comercialização distintas por geografia, o que traz a necessidade de novos produtos regionais. A parceria B3 e CME demostra a nossa capacidade a proporcionar novos produtos eficazes e adaptados às demandas dos nossos clientes", declarou Gourbin.

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