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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

JBS irá produzir carne em laboratório e Petrobras anuncia investimentos

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Felipe Bevilacqua

19/11/2021 09h39

Hoje comentaremos sobre a entrada da JBS em mais um mercado, com a compra de uma empresa espanhola de carne de laboratório, e os planos de investimentos da Petrobras, que podem aumentar na nova divulgação.

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Confira a seguir a análise de Felipe Bevilacqua, analista e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e análises de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimentos. Este conteúdo é exclusivo para os assinantes do UOL.

JBS ingressa no mercado de proteína cultivada em laboratório

A JBS (JBSS3), maior indústria global de carne bovina, informou que sua controlada JBS Global Luxembourg celebrou um acordo para aquisição do controle da empresa espanhola BioTech Foods. A operação marca o ingresso da companhia no mercado de proteína cultivada, que consiste na produção de alimentos a partir de células animais, e inclui o investimento de US$ 41 milhões na construção de uma nova unidade na Espanha para escalar a produção.

A BioTech Foods é uma das companhias líderes no desenvolvimento de biotecnologia para a produção de proteína cultivada. Desde 2017, opera uma planta piloto em San Sebastián, na Espanha, e tem projeções de alcançar a produção comercial em meados de 2024, quando a proteína cultivada chegará aos consumidores na forma de diversos alimentos preparados, como hambúrgueres, embutidos, almôndegas, entre outros, com a mesma qualidade, segurança, sabor e textura provenientes da proteína tradicional.

A tecnologia desenvolvida pela BioTech Foods tem potencial não apenas para a produção de proteína bovina, mas também para a de frangos, suínos e pescados. Pelos termos da operação, a JBS se tornará a acionista majoritária da BioTech Foods.

No total, a JBS destinará US$ 100 milhões no negócio, em linha com a estratégia de ampliar a plataforma de novas formas de produção de proteína, como reflexo das tendências de consumo e do crescimento populacional esperado nas próximas décadas.

A JBS larga na frente com a aquisição da BioTech Foods, que foi bastante estratégica ao iniciar o desenvolvimento de carnes cultivadas a partir da proteína desagregada (um produto similar à carne moída), que é mais fácil de produzir, ao contrário de outras startups que iniciaram o desenvolvimento com processos mais complexos para chegar o mais próximo possível de um bife, por exemplo.

Vale lembrar que a JBS já adquiriu a Vivera em abril deste ano, uma fabricante europeia de produtos à base de plantas. Com a BioTech Foods, a companhia busca aumentar sua aposta num nicho de mercado promissor. A partir do investimento no Centro de Pesquisa em Proteína Cultivada no Brasil, previsto para ser inaugurado em 2022, a JBS pretende desenvolver novas técnicas que acelerem os ganhos de escala e reduzam os custos de produção da proteína cultivada, antecipando sua comercialização no mercado.

Esperamos um impacto levemente positivo nas ações da JBS no curto prazo.

Petrobras poderá elevar investimentos em novo plano

A Petrobras (PETR3, PETR4) divulgará no próximo dia 25 de novembro o plano de negócios plurianual para o período de 2022-2026, segundo notícias veiculadas na mídia. A expectativa é que o programa aumente em até US$ 15 bilhões o investimento projetado apresentado no fim de 2020. Na ocasião, a cifra veio menor com intuito de preservar o caixa da companhia diante da pandemia de Covid-19. Mesmo com a possível elevação de orçamento, o valor fica abaixo do projetado no período de 2020-2024, quando foram divulgados números na ordem de US$ 75,7 bilhões.

A estimativa não deverá afetar o endividamento da companhia no longo prazo, uma vez que a Petrobras já vem progredindo em seu processo de desalavancagem. Isso graças à forte geração de caixa (aproveitando a alta de preços do petróleo no mercado internacional) e ao programa de desinvestimentos, que viabilizou uma nova rodada de distribuição de dividendos aos acionistas, no valor de R$ 31 bilhões.

Vemos como positiva a estratégia da companhia de acelerar investimentos, especialmente no pré-sal, levando em conta a transição energética em curso no mundo, migrando de fontes poluentes, como o petróleo, para fontes renováveis.

Com o barril do petróleo no patamar de preço atual (acima dos US$ 80), mais projetos se tornam atrativos para investimentos. Mesmo em caso de uma queda na cotação da commodity, o pré-sal ainda se mantém competitivo, por conta de seu baixo custo de extração ("lifting cost") e alta qualidade de produto (alto API, petróleo mais leve).

Investimentos mais elevados podem reduzir o pagamento de dividendos, mas a Petrobras possui hoje uma alavancagem saudável, tendo, inclusive, atingido sua meta de endividamento antes do previsto, o que a deixa mais bem posicionada para os próximos anos.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL