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1% dos mais ricos detém 38% do dinheiro mundial, diz pesquisa

Segundo a Forbes, Elon Musk é a pessoa mais rica do mundo em 2021 - Odd Andersen/AFP Photo
Segundo a Forbes, Elon Musk é a pessoa mais rica do mundo em 2021 Imagem: Odd Andersen/AFP Photo

Colaboração para o UOL, em Brasília

07/12/2021 08h41

Em meio à pandemia da covid-19, os bilionários acumularam ainda mais dinheiro. De 1995 a 2021, o top 1% dos mais ricos ao redor do mundo deteve 38% do dinheiro global, enquanto os 50% mais pobres dividem apenas 2% dessa fortuna. Os dados são do estudo Desigualdade Mundial 2022, produzido pelo laboratório francês Thomas Piketty.

A pesquisa ainda notou que o patrimônio dos mais ricos tem crescido entre 6% e 9% por ano desde 1995. A riqueza geral subiu 3,2% anualmente nesse mesmo período.

Atualmente, 520 mil bilionários representam o 0,01% de maior acúmulo de fortuna e são donos de 11% do dinheiro ao redor do mundo. Em 1995, o top 0,01% detinha 7% da riqueza.

Além da desigualdade global, o estudo aponta as áreas onde o desequilíbrio financeiro é mais acentuado. A Europa é a região com maior igualdade. Já o Oriente Médio e a África do Norte ganharam destaque pela alta na disparidade, com os 10% mais ricos compondo 58% da renda total nesses locais.

A América Latina e o leste da Ásia são chamados de "nível médio" de desigualdade. No continente que abriga o Brasil, os 10% mais ricos fazem 55% da receita total e, na porção asiática, eles representam 43% da renda final.

Disparidade no Brasil

"O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Os 10% do topo capturam 59% da renda total nacional, enquanto a metade inferior [da pirâmide de riqueza] da população leva apenas cerca de 10%", anunciou o estudo.

Além disso, o Brasil possui desigualdade mais acentuada do que nos Estados Unidos, onde os 10% detêm 45% da renda nacional, e na China, com 42% da receita total vindo dos 10% mais ricos.

Segundo a pesquisa, o Brasil vinha demonstrando menos disparidade desde os anos 2000, com "milhões saindo da pobreza, em grande parte graças a programas governamentais, tais como o aumento de o salário mínimo ou Bolsa Família".

No entanto, "a ausência de uma grande reforma tributária e fundiária" não ajudou a mudar esse quadro, com a metade de baixo da pirâmide capturando 10% da renda nacional e os 10% mais ricos obtendo cerca de metade dela.

Desigualdade de gênero

De 1995 até 2021, a participação feminina na renda global avançou pouco. Na década de 1990, as mulheres geravam 30% da riqueza mundial e, agora, compõem menos de 35% desse montante.

No Brasil, Costa Rica, Espanha, França e Estados Unidos, se nota uma maior inclusão feminina desde os anos 1990. Em solo brasileiro, a contribuição das mulheres no top 10% dos mais ricos subiu de 24% em 1996 para 38% em 2018.

Já no 1% dos que concentram mais riqueza, a inclusão feminina é baixa, mas a pesquisa destaca que a representação das mulheres nesse índice é maior no Brasil do que, por exemplo, nos Estados Unidos e Espanha.

A pesquisa afirmou que os motivos para a desigualdade de gênero "já são bem disseminados" e incluem as mulheres gastando mais tempo do que homens em atividades não remuneradas, como cuidados de crianças e da casa, e disparidade salarial no mercado de trabalho.

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