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Kennedy: Bolsonaro dobra a equipe econômica e mostra fraqueza de Guedes

Colaboração para o UOL, em Alagoas

21/12/2021 19h32

O colunista do UOL Kennedy Alencar avaliou que a aprovação hoje no Congresso Nacional do projeto de lei do Orçamento com previsão de R$ 1,74 bilhão para aumento a policiais em 2022 foi mais uma derrota do ministro da Economia Paulo Guedes, além de uma sinalização do presidente Jair Bolsonaro a uma parte do funcionalismo que ele acredita ser simpatizante ao seu governo.

Durante o UOL News, Alencar ponderou que Bolsonaro "dobrou a equipe econômica" e, ao mesmo tempo, escancarou a "fraqueza" de Paulo Guedes, que tem sofrido sucessivas derrotas e apresentado dificuldades para negociar tanto com o governo quanto com o Congresso e, por esse motivo, é hoje um ministro "desrespeitado".

"Mostra muito a fraqueza do ministro da Economia, porque foi um assunto que o Bolsonaro atropelou a equipe econômica e o Congresso decidiu que fatia daria", declarou, ressaltando que hoje Paulo Guedes parece o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e se curvam às vontades do governo para permanecerem em seus cargos.

"Paulo Guedes é um ministro que não tem poder nem para negociar com o presidente da república, nem com o Congresso Nacional. Ele tem perdido todas para ficar no cargo, ele faz tudo para ficar no cargo. Quando você é ministro de Estado, tem que ter a capacidade de contrariar o presidente da República, alertá-lo. Sua lealdade tem que ser às instituições, à Constituição, não tem que ter uma lealdade cega. Quem aceita uma função dessa, não pode se curvar, mas o Guedes e o Queiroga se curvam ao Bolsonaro para permanecerem no cargo e hoje eles não são respeitados por ninguém", pontuou.

Ainda no UOL News, Kennedy Alencar falou sobre a aprovação do Orçamento e disse que, em sua avaliação, lhe parece "algo desequilibrado com o conjunto do funcionalismo", pois "isso desencadeia uma corrida por pedidos de aumentos e reajustes".

Congresso aprova Orçamento

A CMO (Comissão Mista de Orçamento) aprovou hoje o projeto de lei do Orçamento com previsão de R$ 1,74 bilhão para aumento a policiais em 2022, ano em que acontecerá as eleições para presidente da República. Jair Bolsonaro vê nos policiais uma de suas bases mais fiéis.

A aprovação acontece um dia depois de Paulo Guedes sair de férias e significa uma derrota para o ministro, além de desencadear uma crise na elite do funcionalismo — auditores da Receita iniciaram uma debandada dos cargos, como forma de protesto.

O texto aprovado pela CMO prevê mais R$ 4,9 bilhões para o fundo de financiamento a campanhas eleitorais em 2022. As emendas de relator, que servem como uma moeda de troca entre o governo e os parlamentares, foram mantidas em R$ 16,5 bilhões.

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