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Servidores federais ameaçam greve geral por aumento de salários

Movimento de servidores ganha força após governo anunciar reajuste apenas para policiais federais - iStock
Movimento de servidores ganha força após governo anunciar reajuste apenas para policiais federais Imagem: iStock

Fabrício de Castro

Do UOL, em Brasília

29/12/2021 15h04

Representantes de servidores públicos federais discutiram nesta quarta-feira (29) a possibilidade de greve geral no início de 2022, a partir de fevereiro. Em Assembleia do Fonacate (Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado), eles definiram um calendário para mobilização no início do próximo ano. Os servidores reivindicam reajuste salarial.

O Fonacate reúne associações e sindicatos que representam mais de 200 mil servidores públicos. A pressão por aumento salarial surge na esteira da decisão do governo de Jair Bolsonaro de conceder reajuste para categorias específicas. O Orçamento para 2022, já aprovado no Congresso, reserva R$ 1,74 bilhão para o reajuste de policiais federais. As demais categorias do funcionalismo, no entanto, não foram contempladas.

De acordo com o presidente do Fonacate, Rudinei Marques, as perdas acumuladas da maior parte do funcionalismo público federal, desde 2017, já somam 27,2%, considerando o IPCA — o índice oficial de inflação.

"Se pensarmos somente no governo Bolsonaro, considerando o IPCA e o boletim Focus do Banco Central, estas perdas vão chegar a 26,3%. E o governo Bolsonaro seria o único a não conceder reajuste geral ao funcionalismo nos últimos 20 anos", afirmou Marques.

Mobilização até a greve

Para pressionar o governo, as entidades ligadas ao Fonacate estabeleceram um calendário de mobilização. Nas duas primeiras semanas de janeiro, as entidades vão iniciar as etapas formais para a deflagração de uma greve, como determina a legislação.

"Temos que primeiro levar as demandas aos órgãos competentes, demonstrar que foram frustradas as tentativas de negociação, fazer a publicação convocando as assembleias das categorias e, por fim, realizar estas assembleias, que estamos prevendo aí entre 10 e 14 de janeiro", explicou Marques.

De acordo com a Fonacate, servidores também entregarão cargos em comissão neste período.

No dia 18 de janeiro, será realizado o Dia Nacional de Mobilização. O movimento ocorrerá em todo o país, em especial em Brasília.
Nos dias 25 e 26 de janeiro, serão mais dois dias de mobilização.

A previsão é de que na primeira semana de fevereiro sejam realizadas novas assembleias gerais entre as categorias, para deliberar sobre uma possível greve geral.

A Fonacate reúne 37 associações e sindicatos. Entre eles, estão a Unafisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), o Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central) e a Anadef (Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos Federais).

Reação ao governo

Até o momento, a principal reação à decisão do governo de promover aumento salarial apenas dos policiais federais veio dos auditores da Receita Federal. Desde o dia 22 de dezembro, centenas de servidores entregaram cargos de chefia no órgão.
Eles protestam contra cortes no Orçamento da Receita para 2022, reclamam da falta de regulamentação de um bônus para a categoria e acusam o governo de retirar dinheiro da Receita para dar aumento de salário aos policiais.

Na terça-feira (28), o ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou os servidores públicos que estão pedindo aumento salarial. Segundo ele, promover um reajuste geral para o funcionalismo público pode elevar a inflação.

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