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Brasil tem fertilizante para próximos três meses, diz associação

Ministra da Agricultura disse ontem que estoques seriam suficientes até outubro deste ano - Confederação Nacional da Agricultura/Wenderson Araújo
Ministra da Agricultura disse ontem que estoques seriam suficientes até outubro deste ano Imagem: Confederação Nacional da Agricultura/Wenderson Araújo

Do UOL, em São Paulo

03/03/2022 16h17Atualizada em 03/03/2022 16h17

O estoque de fertilizantes do Brasil deve durar pelos próximos três meses, prevê a Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos) com base em dados de agentes do mercado. A estimativa vai contra afirmação da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, que disse ontem haver insumo suficiente no país para durar até outubro deste ano.

Segundo nota da associação, que reúne entidades e empresas do ramo, o estoque atual é maior que a média dos anos anteriores. Para eles, ainda seria prematuro avaliar os impactos do conflito entre a Rússia e a Ucrânia sobre o agronegócio brasileiro. Um quarto dos insumos para fertilizantes usados no país é importado do leste europeu, principalmente de Belarus e da própria Rússia.

Em entrevista coletiva ontem, Tereza Cristina garantiu que não haveria problemas para a safra neste momento, já que as plantações já estão em produção. "O que precisava de fertilizante já chegou, já está com o produtor rural. Neste momento não temos problema. A safra de verão é uma preocupação", disse.

O alerta sobre o mercado internacional de fertilizantes vem desde fevereiro, quando começaram as sanções econômicas sobre Belarus. As exportações do produto estão suspensas para o Brasil com o fechamento dos portos da Lituânia para o escoamento de fertilizantes. Com o apoio à Rússia na guerra contra a Ucrânia, o país do leste europeu sofreu novas sanções.

As sanções econômicas dos Estados Unidos e da União Europeia sobre a Rússia e Belarus atingem a produção de potássio, matéria-prima para a maior parte dos fertilizantes. Atualmente, o Brasil é o quarto consumidor global de fertilizantes e 80% de todo o produto usado na produção agrícola nacional vêm de fora do país.

Negociação com o Canadá

Em meio à crise, a ministra da Agricultura disse que vai ao Canadá tentar negociar a demanda de fertilizantes. Segundo ela, o impacto ao consumidor depende do tempo da guerra. Uma eventual redução na oferta faria disparar o preço dos alimentos.

"O preço do trigo subiu lá nas alturas porque a Ucrânia é um grande produtor e isso influencia o mercado global. A gente acha que terá uma alta, sim. Quanto? A soja já subiu, já caiu um pouco. O milho já subiu, já caiu um pouco. A gente tem que acompanhar e diminuir os impactos", afirmou

*Com Agência Brasil