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Mundo ganhou 573 bilionários durante pandemia, diz ONG na abertura de Davos

Mundo ganhou um novo bilionário a cada 30 horas, desde 2020, diz ONG Oxfam - Giorgio Trovato/Unsplash
Mundo ganhou um novo bilionário a cada 30 horas, desde 2020, diz ONG Oxfam Imagem: Giorgio Trovato/Unsplash

Colaboração para o UOL*

23/05/2022 09h39Atualizada em 23/05/2022 14h33

A desigualdade de renda decorrente da pandemia da covid-19 fez o mundo ganhar 573 novos ultrarricos, ou seja, um novo bilionário a cada 30 horas, desde 2020. Um relatório divulgado ontem pela ONG Oxfam durante a abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, mostrou que hoje existem 2.668 bilionários no mundo que, juntos, possuem uma riqueza no valor de US$ 12,7 trilhões.

No relatório intitulado "A necessidade urgente de taxar os ricos", a ONG ainda aponta que as dez pessoas mais ricas têm mais riqueza do que os 40% mais pobres juntos e que os 20 bilionários mais ricos possuem mais do que todo o PIB da África Subsaariana. Os dados são baseados na classificação da revista Forbes das pessoas mais ricas do mundo e em dados do Banco Mundial.

Como forma de combater essa desigualdade, a Oxfam propôs uma série de medidas fiscais. Entre essas ações estão a adoção "urgente" de um imposto único de solidariedade sobre a nova riqueza adquirida pelos bilionários durante a pandemia, com o objetivo de utilizar os recursos obtidos para apoiar os mais pobres e conseguir "uma recuperação justa e sustentável" após a pandemia.

Outra sugestão feita pela ONG é a criação de um imposto temporário sobre os lucros extraordinários obtidos nos últimos anos pelas multinacionais dos setores alimentício, farmacêutico e petroleiro.

Os números apresentados mostram que uma taxação anual de 2% sobre os milionários e de 5% sobre os bilionários geraria US$ 2,52 trilhões ao ano. O montante seria suficiente para tirar 2,3 bilhões de pessoas da pobreza extrema, distribuir vacinas suficientes para todo o planeta e dotar todos os países pobres de cobertura sanitária.

Gabriela Bucher, diretora-executiva da organização, criticou a concentração da riqueza por meio de um comunicado. "Os bilionários vão a Davos comemorar o incrível aumento de suas fortunas", disse em referência ao encontro que reúne as elites políticas e econômicas mundiais.

O estudo ainda mostrou que a pandemia que fez dispararem as ações das empresas de tecnologia negociadas em bolsa, criando os novos bilionários, também fez com que os mais pobres sofram cada vez mais com a inflação, principalmente nos preços de alimentos e energia. Diante dessa concentração de riqueza e má distribuição de renda, 263 milhões de pessoas vão cair na extrema pobreza este ano (um milhão de pessoas a cada 33 horas), segundo suas previsões.

Pontos destacados no relatório:

  • A riqueza total dos bilionários é agora o equivalente a 13,9% do Produto Interno Bruto (PIB) global, acima dos 4,4% registrados em 2000;
  • Elon Musk, o homem mais rico do mundo, é tão rico que pode perder 99% de sua fortuna e ainda estar entre os 0,0001% dos mais ricos do mundo. Desde 2019, seu patrimônio aumentou 699%;
  • A fortuna dos bilionários aumentou nos primeiros 24 meses da pandemia mais do que em 23 anos;
  • A renda de 99% da humanidade caiu por causa da covid-19, pois um total de 125 milhões de empregos em tempo integral foram perdidos em 2021;
  • Uma pessoa comum que está entre os 50% mais pobres demoraria 112 anos para ter o que um integrante dos 1% mais ricos recebe em um ano;
  • A disparidade salarial entre homens e mulheres aumentou: antes da pandemia, previa-se que levasse 100 anos para se igualar; agora, levará 136 anos.

*Com informações da AFP.

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Errata: o texto foi atualizado
Uma versão anterior deste texto informava incorretamente que uma taxação anual de 2% sobre os milionários e de 5% sobre os bilionários geraria US$ 2,52 bilhões ao ano. Na verdade, geraria US$ 2,52 trilhões. A informação foi corrigida.

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