PUBLICIDADE
IPCA
0,47 Mai.2022
Topo

Bolsonaro contraria pesquisa e cita apoio popular para privatizar Petrobras

Presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar a margem de lucro da Petrobras e afirmou que existe apoio popular "muito grande" para privatizar a estatal - Pedro Ladeira - 31.mar.22/Folhapress
Presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar a margem de lucro da Petrobras e afirmou que existe apoio popular "muito grande" para privatizar a estatal Imagem: Pedro Ladeira - 31.mar.22/Folhapress

Do UOL, em São Paulo*

13/06/2022 12h52Atualizada em 13/06/2022 13h33

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar a margem de lucro da Petrobras e afirmou que existe apoio popular "muito grande" para privatizar a estatal. A fala contrasta com o resultado da pesquisa Ipespe, divulgada em 20 de maio.

Segundo o levantamento, apenas 38% dos entrevistados são a favor de privatizar a Petrobras. Outros 49% se dizem contra e 13% não souberam ou não responderam.

O povo está vendo que a Petrobras só visa lucro, nada mais além disso.
Presidente Jair Bolsonaro concedeu entrevista à Rádio CBN de Recife

Bolsonaro não citou que o governo é o maior acionista da Petrobras —ou seja, o lucro da empresa garante verba para o caixa do governo.

"Quando se fala em privatizar qualquer empresa demora anos. A Petrobras, se você fala em privatizar, leva no mínimo quatro anos. A gente apresentou uma proposta inicial, não vamos botar o pé no acelerador", disse o presidente.

O governo Bolsonaro incluiu a Petrobras na carteira do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), a primeira etapa necessária para privatizar estatal.

Segundo o presidente, caso a operação vá adiante, a privatização acontecerá em quatro anos. É preciso do aval do Congresso e também do TCU (Tribunal de Contas da União).

Bolsonaro repetiu que a Petrobras é uma empresa que "dá prejuízo para todos nós" e que tem lucros "abusivos".

Apenas 38% são a favor da privatização da Petrobras

Pesquisa Ipespe contratada pela XP Investimentos aponta que 49% dos entrevistados são contra a privatização da Petrobras, 38% são favoráveis e 13% não souberam ou não responderam. Na semana anterior à pesquisa, o ministro de Minas Energia, Adolfo Sachsida, deu o primeiro passo nos esforços para privatização da estatal, um sonho antigo da equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Pergunta da pesquisa: o (a) sr(a) é a favor ou contra a privatização da Petrobras?

  • Contra: 49%
  • A favor: 38%
  • Não sabe/não respondeu: 13%

A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre suas expectativas de alteração dos preços dos combustíveis caso a Petrobras seja privatizada.

Pergunta: Na sua opinião, caso a Petrobras seja privatizada, os preços cobrados pelos combustíveis irão aumentar, diminuir ou continuarão os mesmos?

  • Aumentar: 44%
  • Continuar os mesmos: 26%
  • Diminuir: 19%
  • Não sabe/não respondeu: 11%

O levantamento mostra que a maioria dos entrevistados (67%) seria favorável à privatização caso haja segurança de que a venda da estatal leve à queda do preço dos combustíveis.

Pergunta: E caso a privatização da Petrobras leve à diminuição dos preços de combustíveis, o(a) sr(a) seria a favor ou contra a sua privatização?

  • A favor: 67%
  • Contra: 27%
  • Não sabe/não respondeu: 7%

Em relação à responsabilidade pelo aumento no valor do combustível, 64% dos entrevistados consideram que a estatal tem "muita responsabilidade" sobre as sucessivas elevações nos preços.

Para 45%, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem muita responsabilidade. A guerra na Ucrânia foi apontada por 40% dos entrevistados como muito responsável pela alta nos preços, mesmo percentual que considera os governadores como principais responsáveis.

Do total de entrevistados, 37% deles classificaram como muito responsáveis os governos anteriores, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Para a pesquisa, o instituto entrou em contato por telefone com 1.000 entrevistados, de 16 anos ou mais, entre os dias 16 e 18 de maio. O nível de confiança é de 95,5% e a margem de erro de 3,2 pontos percentuais. A sondagem foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-08011/2022.

*Com informações de Estadão Conteúdo